“Os dois lados têm a obrigação de encontrar uma forma de coexistência a longo prazo e de impedir que o antagonismo e as divergências se agravem”, considerou a Presidente da ilha, numa cerimónia de tomada de posse marcada pelo uso de máscaras de proteção e pelo distanciamento social, para travar a propagação do novo coronavírus.

Reeleita em janeiro para um segundo mandato presidencial pelo Partido Democrático Progressista (pró-independência) – uma vitória que sinalizou a forte oposição dos eleitores da ilha às reivindicações da China sobre aquele território -, Tsai defendeu hoje que as relações com Pequim atingiram “um ponto de viragem histórico”, e que “a paz, igualdade, democracia e diálogo” deveriam primar nos contactos entre os dois lados.

“Não aceitaremos o uso de ‘um país, dois sistemas’ por parte das autoridades de Pequim para rebaixar Taiwan e prejudicar as relações entre os dois países”, disse Tsai.

A fórmula ‘um país, dois sistemas’ foi usada em Macau e Hong Kong, após a transferência dos dois territórios para a China, por Portugal e pelo Reino Unido, respetivamente, e garante às duas regiões um elevado grau de autonomia a nível executivo, legislativo e judiciário.

Tsai Ing-wen reiterou a sua proposta de diálogo com Pequim e convidou o Presidente chinês, Xi Jinping, a trabalhar com Taiwan para reduzir as tensões.

Pequim continua a rejeitar Taiwan como uma entidade política soberana e ameaça usar a força para reunificar o território, se necessário.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Taiwan, que se auto designa República da China, tornou-se, entretanto, numa democracia com uma forte sociedade civil, mas Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação pela força.

Pequim critica qualquer relação oficial entre países estrangeiros e Taipé, trocas que considera um apoio ao separatismo de Taiwan.

A reeleição de Tsai, de 63 anos, para um novo mandato de quatro anos, ocorreu depois de a repressão dos protestos pró-democracia em Hong Kong terem reforçado a opinião pública da ilha contra a reunificação com a China.

Os Estados Unidos são o maior apoiante militar da ilha contra as ameaças chinesas e um defensor da participação de Taiwan em reuniões de organizações internacionais.

Por insistência da China, Taiwan foi barrada da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) e perdeu o estatuo de observadora na Assembleia Mundial da Saúde anual.

No entanto, a resposta de Taiwan ao surto da covid-19 tem servido para afirmar a ilha, que funciona como uma entidade política soberana apesar da oposição de Pequim, como um dos territórios que melhor preveniu a doença.

Antes da tomada de posse da Presidente reeleita, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, felicitou “a coragem e visão [de Tsai]”, considerando a democracia de Taiwan “uma inspiração para a região e o mundo”.

O apoio dos Estados Unidos surge numa altura de escalada de tensões entre Washington e Pequim, por causa da gestão da crise do coronavírus.

Segundo uma sondagem do instituto norte-americano Pew Research Center, divulgada na semana passada, 66% dos residentes da ilha consideram-se taiwaneses, 28% taiwaneses e chineses e 4% como apenas chineses.

A rejeição da identidade chinesa é ainda mais clara entre os jovens com menos de 30 anos, com 83% dos inquiridos a responder que não se consideram chineses.

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