Num comunicado, Raissi apresentou-se como “um servidor da República Islâmica na sua totalidade”, tanto dos que nele votaram nas presidenciais de sexta-feira, como dos restantes candidatos e dos que se abstiveram.

O clérigo e líder do poder judicial iraniano obteve 61,9% dos votos nas eleições (a agência noticiosa France-Presse, AFP, dá conta de 61,95%), mas a participação foi excecionalmente baixa, 48,8%, o pior índice de todas as eleições para a Presidência realizadas no Irão desde o triunfo da Revolução Islâmica, em 1979.

Apesar disso, Raissi afirmou que, “mais uma vez, o mundo assistiu a uma grande epopeia” de uma nação “que se ergueu e abriu uma nova página na história contemporânea com fé, conhecimento e solidariedade”.

A baixa taxa de participação foi também desdramatizada pelo líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, que, no sábado, falou de uma participação “épica” da população, que soube enfrentar “a propaganda da imprensa mercenária dos inimigos”, que clamava pela abstenção.

A vitória de Raissi, dirigente iraniano que está sob sanções dos Estados Unidos, implica o regresso à linha dura da Presidência iraniana num momento delicado, tanto internamente, onde o descontentamento social tem crescido nos últimos anos, como externamente.

A nível internacional, o Irão está a envolver-se em novas negociações nucleares para resgatar o acordo histórico de 2015, depois de diminuir a tensão com os Estados Unidos na sequência da chegada de Joe Biden à liderança da administração norte-americana (20 de janeiro deste ano).

No entanto, falta saber se a tendência se manterá com Raissi na Presidência iraniana.

O Departamento de Estado, sem reconhecer explicitamente a esperada vitória de Raissi, disse no sábado que os iranianos não puderam participar numa eleição presidencial “livre e justa”, mas que, apesar dos resultados, os Estados Unidos querem continuar as negociações sobre o nuclear.

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