Um grupo de jornalistas, especialistas em media e 100 professores do 3.º ciclo e secundário estiveram envolvidos num projeto de literacia mediática dirigidos aos alunos. No passado ano letivo, cinco agrupamentos de escolas, de diferentes regiões do país, avançaram com projetos-piloto.

No Agrupamento de Escolas da Caparica surgiu um dos projetos. Três professores e dezenas de alunos criaram uma página na rede social Instagram com fotografias e histórias da escola mas também com notícias do bairro e do mundo.

“Fomos à rua 15 e falámos com Lídia, que mora na primeira casa desta rua, há cerca de cinquenta anos”. É assim que começa uma das publicações da página de fotojornalismo “aec_oualgoassim” (que são as iniciais de Agrupamento de Escolas de Caparica e o nome do projeto chamado ‘ou algo assim’).

“Com recursos muito pequenos é possível fazer projetos muito interessantes”, sublinhou o professor universitário e especialista em media António Granado, durante o Encontro Nacional “Literacia Jornalismo — Práticas pedagógicas com os media e acerca dos media”, a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

António Granado foi um dos formadores das oficinas que decorreram entre janeiro e abril deste ano com 20 professores da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Os projetos de media nas escolas são uma forma de alertar para as ‘fake news’ (informações falsas).

“Só conseguimos resolver o problema das ‘fake news’ com a educação”, defendeu António Granado, lembrando que “haverá sempre pessoas interessadas em escrever notícias falsas”.

As cinco sessões entre académicos, jornalistas e professores de todo o país tiveram como objetivo disponibilizar aos docentes metodologias e recursos que pudessem depois desenvolver com os seus alunos.

Alguns professores admitiram ter dificuldades em lançar projetos como um jornal escolar, recordou António Granado, sublinhando a importância de os jornalistas estarem mais presentes nas escolas.

Hoje foi dia de fazer uma avaliação do projeto-piloto, que nasceu de uma parceria entre a Direção Geral de Educação e o Sindicato de Jornalistas.

Nove em cada 10 professores consideraram que as atividades desenvolvidas nas oficinas tinham sido úteis para os seus alunos e para a atividade letiva. No final, todos consideraram que o projeto tem de continuar e ser alargado a outras escolas.

A presidente do Sindicato de Jornalistas, Sofia Branco, vê o projeto como “legado para o futuro” e necessário na defesa do jornalismo.

“Os alunos e alunas não foram o nosso público direto, mas são o destinatário deste projeto”, lembrou Sofia Branco, vaticinando que “o jornalismo não sobreviverá sem eles”.

“Não há nenhuma democracia forte com uma comunicação social fraca”, alertou o Presidente da República numa mensagem gravada que foi transmitida.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que é preciso sensibilizar para a importância da comunicação social e que é junto dos mais novos que se criam “hábitos de leitura, o apreço por jornais e a consideração pela rádio e televisão”.

Este projeto de intervenção tem como objetivo dar ferramentas a pelo menos dois professores da disciplina de Cidadania em cada um dos 812 agrupamentos de escolas.

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