Os confrontos regressaram hoje de manhã às ruas de Paris, com a polícia a disparar gás lacrimogéneo contra dezenas de “coletes amarelos” que estavam concentrados na Avenida dos Campos Elísios e numa das ruas adjacentes.

Pouco depois das 09:00 locais (08:00 em Lisboa) registaram-se situações de tensão entre os manifestantes e a polícia antimotim, que impediu os “coletes amarelos” de atravessar a avenida nas proximidades do Palácio do Eliseu.

Cerca de uma hora depois, a polícia lançou gás lacrimogénio para dispersar as dezenas de “coletes amarelos” que tentavam chegar à rua “Arséne Houssaye”, adjacente aos Campos Elísios, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

A rápida atuação da polícia revela as ordens que receberam no sentido de reagir para evitar que se voltem a registar as cenas de guerrilha urbana a que se tem assistido na última semana.

Segundo números oficiais, avançados pelo secretário de Estado do Interior Laurent Nuñez ao canal televisivo France 2, 31 mil pessoas participavam nos protestos no país, ao meio dia, dos quais 8 mil em Paris.

Segundo a mesma fonte, já foram detidos para interrogatório mais de 700 pessoas (575 em Paris) por  "participação em grupo com o objetivo de preparar atos de violência contra pessoas ou destruição".

Os números são sensivelmente semelhantes aos do último sábado.

Nas ruas, os manifestantes cantam A Marselhesa — hino francês — e gritam "Macron, renuncia".

Antes do início da manifestação, a polícia já tinha detido para interrogatório centenas de pessoas.

Os "coletes amarelos" voltaram a sair às ruas hoje, obrigando as autoridades francesas a adotar múltiplas medidas preventivas, designadamente o reforço policial nas ruas, que ultrapassa os 90 mil agentes.

Uma delegação de representantes, incluindo figuras como Benjamin Cauchy e Jacline Mouraud, reuniu sexta-feira com o primeiro-ministro Édouard Philippe, para tentar encontrar soluções para um impasse negocial que se arrasta há quatro semanas, mas esse gesto não foi acompanhado pela desmobilização da ação de protesto, que começou por ser contra os aumentos dos combustíveis.

A delegação de representantes do movimento "coletes amarelos" tinha feito ao longo da semana vários apelos para que uma quarta manifestação não ocorresse hoje em Paris, para evitar novos distúrbios e confrontos com a polícia.

Para prevenir o efeito de nova manifestação, das ruas do centro de Paris, desapareceu quase todo o mobiliário urbano, com receio de que possa ser usado como armas pelos milhares de manifestantes que hoje tomarão de assalto a zona dos Campos Elísios.

Desde que se iniciou, em 17 de novembro, a agitação contra o governo já provocou quatro mortes, centenas de feridos e centenas de detenções.

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