“Este estudo revela aquilo que o PS veio a dizer enquanto oposição ao governo anterior uma vez que este estudo reflete a escola de Crato: uma escola a preto e branco, que alterou a matriz curricular, tornando-a rígida, pesada, onde acima de tudo se descurou as aprendizagens essenciais”, criticou a deputada e vice-presidente da bancada do PS Susana Amador, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Os alunos portugueses do 4.º ano pioraram o seu desempenho em leitura entre 2011 e 2016, segundo a avaliação internacional do Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS) hoje divulgada.

Esta foi a segunda vez que decorreu esta avaliação e o estudo reflete uma avaliação feita em fevereiro de 2016, dois meses depois do atual Governo ter iniciado funções.

“Estes resultados revelam o que foi a desvalorização da escola pública, o retrocesso civilizacional que o PS entende que aconteceu com uma política educativa pobre e que desvalorizou muito a cidadania”, afirmou a deputada, acusando o anterior executivo de, em matéria de educação, ter desvalorizado a leitura livre, a participação oral e a criatividade, centrando-se apenas nas leituras obrigatórias.

Susana Amador frisou que “há muito trabalho a fazer” mas defendeu que o atual Governo “está no bom caminho”, com a revitalização do Plano Nacional de Leitura, a aposta nos exames de aferição para “monitorizar de forma precoce” as dificuldades dos alunos, a aposta na universalização do pré-escolar e no envolvimento de toda a comunidade educativa.

“Centrar na qualidade das aprendizagens e não na seriação que os exames prematuros trouxeram à escola e nos trouxeram até aqui”, defendeu, considerando que “mais importante do que olhar para trás” é a recentragem que disse estar a ser feita numa “escola pública de qualidade”.

“O que temos em marcha são medidas que entendemos que trarão resultados, não temos uma visão fechada, daí a preocupação do Governo de ir às escolas todos os dias, falar com professores, pais e alunos”, disse.

Pela segunda vez, um grupo de crianças portuguesas, com 9 e 10 anos, participaram neste estudo internacional que se realiza de cinco em cinco anos para avaliar as capacidades de leitura em papel (PIRLS) e de leitura online (ePIRLS).

Em Portugal, 4.558 alunos de 218 escolas (91,3% públicas e 18% privadas) realizaram as provas e, numa escala de mil pontos, os portugueses conseguiram 528 pontos, colocando o país em 30.º lugar de uma lista de 50 países encimada pela Rússia (581 pontos), Singapura (576) e Hong Kong (569), quando em 2011 tinha alcançado o 19.º posto.

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