No regresso da Festa do Pontal, comício de ‘reentré’ dos sociais-democratas organizado em Quarteira, no Algarve, Luís Montenegro demorou pouco tempo para apontar baterias ao governo de António Costa.

"Vamos fazer o que compete aos partidos da oposição: escrutinar o partido do governo. E este governo tem de ser muito escrutinado", disse.

“Hoje [sábado] mesmo o nosso líder parlamentar dirigiu um requerimento ao presidente da Assembleia da República para que, quando começar a funcionar o plenário, possa ser discutido o programa de emergência social que o Governo não faz, mas que nós vamos propor ao país”, disse Luís Montenegro, ao discursar na Festa do Pontal em Quarteira, no Algarve.

Segundo Luís Montenegro, que se estreou como líder do PSD na Festa do Pontal, o habitual comício da ‘reentré’ do partido no distrito de Faro, o programa integra cinco eixos, que são “medidas transitórias para quatro meses e estão asseguradas por aquilo que é o excedente dos impostos que o Governo vai arrecadar este ano”.

Perante cerca de 1.500 militantes, o líder social-democrata enumerou os eixos, o primeiro dos quais a atribuição de um vale alimentar de 40 euros por mês a todos os pensionistas e reformados com pensões até 1.097 euros, que são 2,5 indexantes de apoios sociais, medida que custará 368 milhões de euros.

A segunda medida, continuou, passa por atribuir um vale alimentar a todos aqueles que estão na vida ativa e que têm um rendimento inferior a 1.100 euros.

“Quer num caso, quer noutro, estamos a falar de 2,3 milhões de pessoas, no global estamos a falar de 4,6 milhões de pessoas”, apontou.

O terceiro eixo “é a proposta de redução do IRS nos quarto, quinto e sexto escalões, porque quem ganha entre 1.100 e 2.500 euros mensais também estão a passar dificuldades, não tão graves como as famílias mais carenciadas”, mas também merecem apoio, sublinhou.

Os outros dois eixos têm a ver com a atribuição de mais dez euros adicionais a todas as crianças e jovens que recebem abono de família, “medida que custa cerca de 10 milhões de euros por mês, e linhas de apoio às instituições particulares de solidariedade social e às pequenas e médias empresas”.

No seu discurso, ao longo de quase uma hora, o líder do PSD salientou que as medidas “são transitórias, para quatro meses deste ano e estão asseguradas por aquilo que é o excedente dos impostos que são cobrados este ano”.

Luís Montenegro, que partilhou a mesa com Pedro Passos Coelho, saudou a presença do antigo líder e antigo primeiro-ministro social-democrata, dizendo ser uma pessoa especial com quem teve o privilégio de integrar o Governo em 2015.

Para o atual líder do PSD, “a máquina laranja está de volta para tornar a governar Portugal, numa altura em que o país precisa do partido para recuperar o país”.

Nas críticas ao Governo, Montenegro considerou que a atual governação socialista em nada mudou dos últimos anos, porque “é um Governo tão igual aos dois anteriores, que está a empobrecer Portugal”.

“Estamos a viver pior em Portugal e a ficarmos cada vez mais pobres”, notou.

Luís Montenegro considerou ainda que Portugal tem hoje “uma sociedade nivelada por baixo, onde as pessoas recebem cada vez menos”, e acusou o PS de ser um Governo “de casos, sem que ninguém assuma a responsabilidade”, recordando as “polémicas com o aeroporto, o despacho do primeiro-ministro sobre uma empresa das elétricas e as declarações da ministra da Agricultura”.

“Parece mentira, mas aconteceu. Tudo o que acontece em Portugal menos bem, nunca é culpa do Governo”, ironizou.

Para Luís Montenegro, o PSD tem agora de fazer o que lhe compete como partido da oposição, que é escrutinar o Governo, e apresentar-se com sentido de responsabilidade e abertura à sociedade, de forma a construir um plano de governação que possa dar a Portugal oportunidades a todos os cidadãos”.

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