Numa declaração política na Assembleia da República, a vice-presidente da bancada social-democrata Rubina Berardo acusou o PS de ter “dado uma facada” no método de escolha do próximo presidente da Comissão Europeia com base nos cabeças de lista nomeados por cada família política (os chamados ‘Spitzenkandidaten’).

“Neste momento tão delicado para o futuro da Europa, as negociações em torno das funções europeias não se podem resumir a uma guerra das cadeiras - todos têm que sair das trincheiras”, afirmou Rubina Berardo, apelando a António Costa que tenha como “primeira linha o interesse nacional na forma como conduz estas negociações”.

A deputada do PSD considerou contraditório que o primeiro-ministro, ao mesmo tempo que disse na terça-feira que não se discutiram nomes, mas apenas perfis para os cargos de topo da União Europeia (UE), tenha feito um “ataque ‘ad hominem’ ao ‘spitzenkandidat’ do Partido Popular Europeu”, Manfred Weber.

Na resposta, a ex-secretária de Estado dos Assuntos Europeus e número quatro do PS às europeias, Margarida Marques, salientou que as eleições europeias de domingo “iniciaram um novo ciclo institucional”.

“Os tratados dizem que o presidente da Comissão Europeia deve respeitar os resultados das eleições europeias. Em momento nenhum diz que deve ser o ‘spitzenkandidat’ do partido mais votado. Respeitar os resultados das eleições significa construir uma maioria no Parlamento [Europeu], como aconteceu neste parlamento. É o exercício que tem de ser feito neste momento”, defendeu.

“Tinha a expectativa de que em alguma circunstância Portugal pudesse apoiar o candidato Manfred Weber?”, questionou a socialista, lembrando que o PPE não dispõe de maioria no Parlamento.

Rubina Berardo contrapôs que também o candidato do Partido Socialista Europeu, Frans Timmermans, não dispõe de maioria no Parlamento Europeu.

“A maneira como assassina o processo do ‘spitzenkandidaten’ é uma grande facada no seu camarada Martin Schulz”, afirmou, atribuindo esta “boa ideia” ao socialista alemão.

“Temos que lidar com um Parlamento Europeu fragmentado, por isso faço esse apelo para sair das trincheiras. Para tal, é preciso que todos dancemos o tango, não é só o PPE, é também o PS e a sua família europeia”, afirmou.

Rubina Berardo insistiu que deve ser o interesse nacional a mobilizar o Governo português e não “as contabilidades partidárias, nem sensibilidades das famílias partidárias europeias, nem mesmo exportar o modelo ou não o modelo da geringonça”.

“Modelo esse que o próprio chefe de Governo português, dr. António Costa, já começou ativamente a descartar para si”, afirmou, considerando que o primeiro-ministro insistir nesse caminho será “dar razão” aos quase 70% de abstencionistas.

Por outro lado, a deputada considerou que insistir num modelo de ‘geringonça’ europeia irá contra a afirmação do Presidente da República de que dois terços dos portugueses são pró-europeístas, referindo-se ao conjunto de eleitores do PS, PSD, CDS-PP, Aliança e Iniciativa Liberal.

“É esse o caderno de encargos que o chefe de governo português carrega para estas negociações que começaram ontem”, defendeu.

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