Em causa está uma publicação na rede social Facebook, partilhada durante o fim de semana, onde é alegado que a autarquia de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, teria deslocado utentes portadores de deficiência da Casa Ozanam para o Pavilhão Municipal de São João de Ver, de forma a libertar a referida instituição particular de solidariedade social para o acolhimento de retaguarda de outros cidadãos infetados com covid-19 ou em quarentena.

A publicação referia que os utentes com deficiência "foram 'despejados' no pavilhão", que esse recinto "não tinha recursos nem condições adequadas" para eles, que a câmara "para resolver um problema acabou por criar outro maior", que usou de "propaganda" na imprensa para distorcer "uma situação asquerosa" e que optou por "uma solução sem humanismo" para pessoas já fragilizadas.

Esta tarde, em reunião de Câmara, o presidente da autarquia, Emídio Sousa, reagiu, disse que a acusação "não é verdade", que a referida publicação "mistura coisas totalmente diferentes e que se verificaram em datas distintas" e acrescentou: "Não gostei. É um discurso de ódio. Vou participar o assunto ao Ministério Público [MP], porque as redes sociais prestam-se a situações muito desagradáveis e não podemos tolerar certo tipo de insultos".

O presidente da câmara esclareceu que, quando se criou na Casa Ozanam um espaço para acolhimento temporário relativo à covid-19, já as suas valências relativas à atividade ocupacional tinham sido encerradas como medida de contingência, à semelhança do que aconteceu em todo o país.

A mudança dos utentes com deficiência para o Pavilhão Municipal só se verificou "há umas semanas, já em junho", e em período de desconfinamento, pelo que "uma coisa não tem nada a ver com a outra".

A questão é que, como por ordem do Governo a atividade ocupacional da Casa Ozanam só poderá ser retomada no próximo mês de setembro, entretanto "havia muitas famílias que estavam a desesperar por não terem condições para continuar a tomar conta das suas pessoas com deficiência".

A solução foi antecipar o reinício da atividade ocupacional, disponibilizando para o efeito o Pavilhão Municipal, "que tem condições excelentes e muito mais espaço para as crianças andarem com distâncias de segurança", até pelas suas áreas exteriores para desporto e jogos lúdicos.

"Esta boa solução que encontrámos está agora a ser enxovalhada e nenhuma das pessoas que estiveram com este trabalho o merecia", disse Emídio Sousa, frisando que a solução encontrada no Pavilhão "vem é dar uma resposta antecipada a um problema que, de outra forma, ainda se arrastaria mais dois meses".

A própria Casa Ozanam já comentou o assunto: "Consideramos o Pavilhão um local de excelência, no sentido em que não foi difícil à nossa equipa adaptar o espaço de modo a torná-lo o mais parecido possível com a nossa instituição. A equipa teve igualmente a consciência de adaptar as atividades e intervenção a este novo espaço, tirando o máximo partido dele, face até às exigências da situação atual que vivemos".

Notando que "os utentes se sentem seguros, respeitados na sua dignidade, tranquilos e felizes" nesse espaço, a direção da instituição conclui: "Naturalmente, o desejo de regressar à Casa Ozanam é grande. Mas não é porque nos sentimos 'despejados' no Pavilhão. O desejo é grande porque a Casa é a nossa zona de conforto, pela identificação que sentimos com ela, pelas vivências dentro de cada sala. Mas face à necessidade de integrarmos um espaço temporário, reforçamos determinantemente que este é um Pavilhão que assegura, plenamente, a satisfação das necessidades e expetativas dos nossos utentes".

Na mesma reunião de câmara, Emídio Sousa informou ainda que estará durante uma semana em isolamento doméstico como "medida de prevenção" no contexto da covid-19, após ter contactado quinta-feira com um cidadão assintomático que, durante os preparativos para uma intervenção cirúrgica, foi entretanto sujeito a um teste de rastreio ao SARS-CoV-2 e se descobriu contaminado.

O encontro entre autarca e doente deu-se na assembleia-geral do Centro Social de Fiães, cuja estrutura Emídio Sousa integra, e é agora sua pretensão manter-se em regime de teletrabalho até poder submeter-se ele próprio a um exame de diagnóstico.

"Convém aguardar cinco ou seis dias até fazer o teste. Mas estou bem de saúde e totalmente disponível", afirma.

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