A notícia rebentou no fim de semana, mas hoje ficaram a saber-se mais alguns contornos da situação. Mas vamos ao início. No sábado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recebeu o alerta para uma situação de disparos na avenida de Moscavide, cerca das 13:20; quando chegou ao local encontrou "um homem que tinha sido baleado em várias zonas do corpo por outro homem".

A informação inicial era de que o homem responsável pelos disparos e autor do crime tinha entre 60 e 70 anos. No entanto, dados foram cruzados, interrogações foram feitas e chegou-se à conclusão de que o autor do crime tinha afinal 80. A ocorrência mobilizou "dezenas de polícias" devido à necessidade de interromper o trânsito na avenida de Moscavide.

Às 16:00, o comissário do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Bruno Pires, adiantava no local aos jornalistas que a vítima tinha "cerca de 40 anos". Confirmava, também, que o autor dos disparos se encontrava detido, não tinha oferecido resistência e tinha sido retido por populares até à chegada da polícia. O comissário acrescentou na altura que "a única coisa que se sabe, e que poderá ser útil para a investigação, é que já existem relatos ao longo desta semana de desacatos".

Ao início da noite, a SOS Racismo emitia um comunicado onde exigia justiça para o crime que afirma ter motivações raciais. "Hoje, pelas 14h, Bruno Candé Marques, cidadão português negro, foi assassinado com quatro tiros à queima-roupa. O seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes e reiteradamente proferiu insultos racistas contra a vítima", pode ler-se na nota.

O mesmo identificava a vítima: Bruno Candé Marques, 39 anos, pai de três filhos, era ator da companhia de teatro Casa Conveniente desde 2010, tendo participado em telenovelas.

Pouco depois, seguir-se-ia um comunicado da família em que se dava conta de que Candé Marques "foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide" e que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas".

As reações surgiram. Catarina Martins repudiou "assassinato violento, racista", a direção do Chega contrapôs que "o assassinato do ator Bruno Candé é uma tragédia mas nada tem, segundo os dados conhecidos até ao momento, a ver com racismo". O governo, pela voz do Ministro da Administração Interna, repudiou o homicídio.

Já nesta segunda-feira, o suspeito foi presente a tribunal e foi ouvido ao início da tarde. Segundo o jornal Público, não prestou declarações e remeteu-se ao silêncio. Está indiciado pela prática de crime de homicídio qualificado e detenção de arma proibida. Ficará em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa. E, ainda segundo o jornal, o suspeito tem afinal 76 anos. Mais, há testemunhas que garantem ter ouvido insultos racistas contra Bruno Candé pelo arguido que o ameaçou de morte.

Ao Expresso, fonte policial explicou que a discussão entre Bruno Candé e o alegado homicida "tinha começado na última quarta-feira por causa da cadela [a quem terá batido] e reacendeu-se no sábado pelos mesmos motivos quando os dois homens se voltaram a encontrar na rua".

A família da vítima fala em motivações raciais, mas a PSP diz não ter, até ao momento, qualquer informação que comprove a acusação. O caso está a ser investigado pela brigada de homicídios da Polícia Judiciária. Também se sabe que a arma era ilegal e que o suspeito tinha munições em casa.

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