“Se, no mês de março, quando o país parou devido ao surto de Covid-19, o norte foi uma das primeiras regiões a ser afetadas, devido ao alto número de casos, nos últimos meses, quando começou a fase de recuperação e desconfinamento, foi também uma das primeiras a conseguir sair da pandemia.” As palavras são de Luís Pedro Martins, Presidente da Entidade do Turismo do Norte, que atribui grande mérito da recuperação ao trabalho de todas as entidades de saúde e às autarquias de toda a região do Porto e Norte de Portugal.

O turismo foi, sem dúvida, um dos setores que se viu obrigado a parar nos últimos tempos. Agora é hora de arregaçar as mangas e procurar soluções e estratégias que voltem a colocar o mundo a mexer em segurança. Esta foi uma das premissas que levou Luís Pedro Martins e Rita Batista Marques, Secretária de Estado do Turismo, a Ponte da Barca para assistir a uma ação de promoção das atividades náuticas.

A pandemia obrigou a várias mudanças nos últimos meses. Na forma como vivemos, comunicamos, e inevitavelmente, na forma como viajamos. Muitos desmarcaram férias, cancelaram viagens, também fruto das pausas das companhias aéreas, e estão, mais do que nunca hesitantes em sair de casa. Mas, passo a passo, também os turistas se vão adaptando.

“Os turistas procuram hoje outro tipo de oferta. Felizmente, para esta zona, nós oferecemos aquilo que eles querem: segurança, privacidade, tranquilidade. Férias para serem feitas para pequenas famílias ou em pequenos grupos de amigos.”, afirma Luís Pedro Martins.

Mas, para corresponder às expectativas de quem procura viajar, há agora mais e novos critérios que têm de ser preenchidos, como, por exemplo, o selo Clean & Safe, atribuído pelo Turismo de Portugal. “Temos mais de 5000 selos disponíveis nas mais variadas ofertas da região. Somos a primeira região Clean & Safe nos empreendimentos turísticos. Somos também a primeira região Clean & Safe na restauração.”

Com uma oferta diversificada de experiências, a região do Porto e Norte está dotada de zonas litorais, de montanha, lagoas, albufeiras, rios geoparques e serras, e atrai turismo ligado a setores que vão da gastronomia à natureza, com o enoturismo a ter um papel importante. A diversidade joga, segundo Luís Pedro Martins, a favor da região e contra a elevada pressão turística. “ O maior truque é conseguir que haja uma boa distribuição de turistas pelo território, de forma a evitar a concentração massiva num único sítio. Para isso, não podemos promover a região como um todo, mas sim como uma multiplicidade de atrações. Com tanta oferta e um território tão vasto, parece-me difícil projetar a ideia de overtourism. Ainda assim, acho importante que todas as entidades estejam atentas a esta questão, para que possamos agir, se necessário”.

Tendo em vista o crescimento, a região continua a não esquecer aquela que era uma das suas maiores preocupações antes de o mundo parar por causa do Covid-19: a sustentabilidade e a manutenção da biodiversidade. “Se apresentamos os rios, os geoparques e a natureza é porque os temos e porque é preciso preservá-los para que existam durante várias gerações. Não podemos estragar aquela que é a galinha dos ovos de ouro da região Porto e Norte. Isto obriga-nos a criar algumas regras e a traçar alguma disciplina na forma como exploramos estas potencialidades.”

A popularidade do Norte esteve em crescimento nos últimos 6 anos e em 2019 bateu recordes. O Presidente do Turismo do Norte estima que, no total, tenham passado pela zona mais de 6 milhões de hóspedes e que tenham sido contabilizadas mais de 12 milhões de dormidas.  Se, antes da pandemia, a região estava em destaque para os mercados de longa distância, com uma grande procura de turistas dos Emirados Árabes Unidos, do Brasil, dos Estados Unidos, Canadá e da Ásia, essa dinâmica foi uma das maiores perdas da região. Agora, mais do que nunca, o principal objetivo é dar a conhecer o Norte para o mercado nacional.

“Nós queremos que 2020 seja o ano em que os turistas nacionais vão descobrir pela primeira vez Portugal. Outros vão redescobrir, e vão saber as razões pelas quais nós temos tido tanto sucesso nos últimos anos, porque é que somos tão visitados por estrangeiros. Queremos dizer aos portugueses é que é cá em cima, no Porto e no Norte, que estão as boas experiências.”

No que diz respeito aos possíveis receios que possam surgir, afirma ainda que a região Norte é o sítio certo para umas férias: “Eu não só sinto que é seguro como também sinto que é seguríssimo as pessoas apostarem na região norte para passar este verão.”

Para assegurar que a região é capaz de aceder a todas as necessidades do setor e que é capaz de manter a qualidade, o Presidente do Turismo do Porto e Norte acredita que é fundamental pensar o turismo como “uma pescadinha de rabo na boca”.

“Interessa-nos os turistas que tenham poder de compra e que possam deixar dinheiro no território. Para que os possamos atrair, a nossa oferta tem de ser de qualidade. Mas isto é ‘uma pescadinha de rabo na boca.’ Para haver empresas que prestam serviços de qualidade é preciso recursos humanos de qualidade, e isso obriga-nos a ir às escolas buscar aqueles que finalizam os cursos de formação, e a dar-lhes, obviamente, condições para que fiquem”.

Em relação ao futuro, Luís Pedro Martins destaca a esperança de que, em menos de um ano, volte tudo ao normal. “2020 é um ano muito complicado, vai ser muito duro. Claro que isto é futurologia e é sempre um risco dizê-lo, mas eu imagino que a Páscoa 2021 poderá trazer alguma normalidade. Se for antes, tanto melhor. Até lá, contamos muito com os turistas nacionais e, agora com a abertura das fronteiras, com os turistas espanhóis”.

Este artigo faz parte do dossier "Alto Minho: na rota do que é "sustentável por natureza" que conta com o apoio do projeto "ECODESTIN_3_IN", cofinanciado pelo programa POCTEP - Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal

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