As mesas de mistura, computadores e microfones são o passatempo deste português de 54 anos, que durante o dia é estafeta, responsável pelo transporte de sangue e órgãos para transplante do serviço de saúde público britânico NHS.

Para trás deixou uma carreira com mais de 25 anos de baterista em numerosos grupos de baile como Os Condes, Mónaco e Clave de Almada, com os quais viajou pelo país, e experiências em rádios locais de Sintra.

“A rádio é uma paixão pela forma como nós falamos, como abrimos a boca para um microfone para dizer o que nos vai na alma e conseguimos mexer com os sentimentos das pessoas que estão do lado de lá a ouvir”, explicou à agência Lusa.

Todos os anos faz questão de assinalar o Dia Mundial da Rádio, celebrado em 13 de fevereiro, na emissão, para destacar a importância de um meio de comunicação que continua relevante, apesar da evolução tecnológica.

O projeto surgiu por “brincadeira” ???????em 2002, em Mem Martins, perto de Lisboa, como uma forma de ocupar o tempo após um acidente grave de motorizada que o deixou imobilizado, e mais tarde evoluiu para um formato digital.

Foi durante um novo problema de saúde que a rádio se tornou crucial, em 2018, quando lhe foi diagnosticado cancro nas cordas vocais e comunicado que teria de ser operado.

“Dias antes, comuniquei aos ouvintes que poderia não poder falar mais ou ter dificuldades e recebi imensas mensagens nas redes sociais e por email. Para mim foi uma força enorme”, conta, sensibilizado.

Para o português, “depois de ter lido estas mensagens de apoio, ter as pessoas a acreditarem e a acarinhar a própria rádio e acreditarem no projeto, foi a prova viva de que valia a pena a TugaNet existir”.

A rádio é feita em regime de voluntariado com uma série de colaboradores amadores e semi-profissionais em Portugal, mas o investimento no equipamento e licenças é de Mário Silva, que se instalou na capital britânica em 2010.

Além de transmitir 24 horas por dia, também publica notícias no site https://tuganet.fm/ e nas redes sociais, chegando a uma audiência média de diária de 150 pessoas em países como Alemanha, França, Angola, Brasil, Espanha, além de Portugal.

“Para mim tanto dá para fazer para 100 como para uma, o importante é gostarem”, afirmou à Lusa.

O próximo passo para Mário Silva é criar uma rádio em FM na região de Londres, tendo obtido do regulador Ofcom uma licença de teste de até 500 watts para uma estação em português na frequência 88.2.

“Existem muitos potenciais ouvintes: motoristas, estabelecimentos comerciais, pessoas em casa. A nossa comunidade portuguesa merece uma rádio em português”, reivindicou.

Dependente de um espaço e investimento para o equipamento, acredita que existe potencial, mas admitiu que as pessoas “só vão acreditar quando estiver no ar”.