Há quase duas décadas que são divulgadas anualmente listagens de escolas ordenadas pelos resultados académicos dos alunos e, para Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), este é “um bom instrumento de trabalho para as escolas”.

As escolas desenvolvem planos de melhoria para perceber como é que se podem obter melhores resultados internos, mas também nos exames nacionais, lembrou por seu turno, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

No entanto, as escolas são o reflexo da comunidade em que estão inseridas e, muitas vezes, nem diretores escolares nem professores conseguem resolver os problemas em que vivem os alunos e as suas famílias, referiu Manuel Pereira.

A divulgação dos ‘rankings’ tem chamado a atenção para um conjunto de escolas situadas em zonas problemáticas e frequentadas por alunos com fracos resultados académicos. São sempre os mesmos e estão sempre no fim das listas.

“Os ‘rankings’ deviam ser um instrumento de trabalho também para o Governo, o Ministério da Educação e as autarquias, porque há um conjunto de escolas que ocupam sempre os piores lugares e é preciso investir nesse grupo”, lamentou Manuel Pereira, criticando o facto de “a leitura dos ‘rankings’ ser pouco usada por quem deveria ser”.

Para o presidente da ANDE, estas escolas precisam de mais apoios e recursos, assim como é preciso dar uma atenção especial à comunidade envolvente.

“Não há terras, nem pessoas que estejam condenadas a não ter sucesso. Muito menos há crianças condenadas ao insucesso”, disse, acrescentando que “há politicas que podem fazer a diferença, mas para isso os governos e autarquias têm de analisar as razões pelas quais existe um conjunto de escolas que está sempre nos últimos lugares”.

Filinto Lima apontou que "há autarquias que afetam técnicos e psicólogos que, indiretamente, apoiam os alunos nas suas aprendizagens", mas que este é um trabalho que é feito independente dos ‘rankings’.

Manuel Pereira lembrou os casos de escolas que conseguiram superar as dificuldades e os alunos que, contra tudo e contra todos, fizeram a diferença.

“As escolas trabalham estoicamente todos os anos. Muitas fazem a diferença e muitas conseguem ir para além das expectativas. Mas, nestes 18 anos, há uma parte do país que está tradicionalmente no fim da lista”, criticou.

Filinto Lima também não é contra a divulgação de dados provenientes da avaliação dos alunos, mas considera que algumas das listas divulgadas transformam-se em verdadeiros "’rankings’ da hipocrisia".

O facto de as listagens serem feitas apenas com base nos resultados nos exames é “muito redutor”, disse, defendendo que os ‘rankings’ deveriam ter em conta fatores como o nível de literacia dos pais, a percentagem de alunos com apoio social escolar ou, por exemplo, se os alunos têm explicações.

“Falam nas melhores e nas piores escolas, mas gostaria de saber se os professores das melhores escolas conseguiriam ter resultados semelhantes se estivessem a dar aulas nas escolas que aparecem no fim das listas. Por isso é que eu digo que são ‘rankings’ da hipocrisia”, criticou.

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