A “retirada” e o desarmamento das forças de Tigray são disposições chaves do acordo assinado em 2 de novembro, em Pretória (África do Sul), para pôr um fim a dois anos de um conflito que devastou o norte da Etiópia. O texto também prevê o restabelecimento da autoridade federal na região do Tigray e a reabertura do acesso a essa região mergulhou numa situação humanitária catastrófica.

“Começamos a retirada e a reajuste das nossas forças de linha de frente”, declarou no sábado o chefe do Estado Maior das Forças do Tigray, Tadesse Worede.

Do total “das nossas forças, 65% destas estão a passar por este processo, retiradas das linhas da frente e deslocadas para lugares designados”, acrescentou.

Worede não especificou quais são as linhas da frente em questão ou até que ponto os combatentes foram retirados.

Mas denunciou a presença de “forças na região que (…) são obstáculos à paz”, em referência ao Exército da Eritreia e às forças regionais e milícias da região etíope do Amhara, que apoiou o Exército da Etiópia no conflito que começou em novembro de 2020.

“Os problemas que criam e os abusos que cometem contra a população não são secretos, por isso fizemos uma pausa em certos lugares” nas operações de retirada para impedir que “continuem as suas atrocidades contra a população, referiu Worede.

Segundo o responsável do Tigray, depois que estas ameaças forem sanadas, irão se retirar “100%”.

As autoridades rebeldes denunciaram regularmente nas últimas semanas de abusos sobre civis cometidos na região do Tigray pelo Exército da Eritreia, que não participaram nas negociações de Pretória.

O acesso a certas áreas do leste e o centro do Tigray permanece limitado, sublinhou o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, em 25 de novembro.

O Tigray foi praticamente isolado do mundo há mais de um ano e é privado de serviços de eletricidade, telecomunicações, bancos e combustíveis.

De acordo com o PAM, os dois anos de conflito fizeram mais de 13,6 milhões de pessoas dependentes da ajuda humanitária no norte da Etiópia (5,4 milhões no Tigray, 7 milhões em Amhara e 1,2 milhão em Afar).

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