O autarca disse ao jornal Público que o sistema SIRESP "já está em modo local, o que está a dificultar as comunicações no terreno", no combate ao incêndio em Vila Chã, Alijó.

Quando uma base entra em modo local (LST - Local Site Trunking) ela continua a assegurar comunicações entre todos os terminais que são servidos pela mesma estação base, não sendo possível comunicar com outra estação base.

"Estive duas horas sentado só a ouvir e apercebi-me que a comunicação falha: não sabemos exactamente onde está posicionada cada equipa, onde está a arder. Às tantas, só recorrendo aos telemóveis é que se consegue comunicar”, criticou Carlos Magalhães, em declarações ao jornal.

Entretanto, a Proteção Civil, em declarações à RTP, confirmou que se registaram algumas falhas e esclareceu que foi enviada para o local uma estação móvel.

Patrícia Gaspar, da Proteção Civil, disse que "houve, durante a tarde, algumas falhas pontuais do SIRESP" e adiantou que foi mobilizada "uma estação móvel que estava preventivamente posicionada no Porto, e que já está no local para garantir o reforço da capacidade de comunicações".

Patrícia Gaspar disse à agência Lusa que "as comunicações durante estas falhas foram asseguradas através da Rede Operacional dos Bombeiros (ROB)", um procedimento previsto. "Quando se estabelece um plano de comunicações num teatro de operações, nunca é feito com exclusividade à rede SIRESP", integrando-se também a ROB, esclareceu.

A estação móvel foi enviada para o combate ao incêndio de Alijó por volta das 18:00.

O alerta para as chamas foi dado às 01:55 de hoje e o fogo chegou a avançar em três frentes. Ao início da tarde, o fogo tinha sido dado como dominado, mas sofreu, entretanto, uma reativação. Pelas 20:50, o incêndio era combatido por 323 bombeiros, apoiados por 97 viaturas e oito meios aéreos.

As chamas obrigaram a retirar da aldeia de Chã cinco crianças e seis adultos, que foram transportados para o pavilhão desportivo de Alijó e estão a ser acompanhados por uma equipa técnica da edilidade.

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Não foi evacuada nenhuma localidade "por inteiro", disse à agência Lusa o comandante dos Bombeiros de Alijó, José Carlos Rebelo. Segundo o comandante, há algumas localidades que "estão na linha de fogo" e que poderão ficar ameaçadas pelas chamas, como é o caso de Carvalho e Casas da Terra. No entanto, José Carlos Rebelo realçou que as chamas "ainda estão longe, a alguns quilómetros" de distância dessas localidades. Até ao momento, as chamas já destruíram "alguns anexos e armazéns", bem como casas devolutas, não havendo registo de casas de primeira habitação afetadas, afirmou. De acordo com o comandante dos Bombeiros de Alijó, "está muito difícil combater o fogo", registando-se ventos de "70 a 80 quilómetros por hora". "Neste momento, todos os meios são necessários", vincou.

Na zona industrial de Alijó, as chamas atingiram parcialmente uma fábrica, e, numa adega próxima, várias garrafas rebentaram devido ao calor.

Os bombeiros estão a concentrar alguns meios na aldeia de Casais da Serra e a procurar proteger os depósitos de água.

O combate ao incêndio em Alijó ficou ainda marcado por um incidente com uma aeronave. Um helicóptero acionado para o combate ao incêndio caiu, mas o piloto não ficou ferido, saindo apenas com escoriações ligeiras, apesar de ter sido levado para o hospital de Vila Real por precaução, afirmou a Autoridade Nacional de Proteção Civil em comunicado.

O aparelho Ecureueil AS350B3 estava a despistar uma anomalia no funcionamento do balde com que recolhe a água para combater os incêndios quando teve um problema. O piloto desligou os circuitos elétricos e a alimentação de combustível e ainda conseguiu sair do aparelho pelo próprio pé.

A GNR isolou a área do acidente e está a recolher indícios para enviar ao Gabinete de Prevenção e Investigação com Aeronaves e Acidentes Ferroviários. A Everjets, que opera os helicópteros ligeiros de combate aos fogos, ja informou que vai instaurar um inquérito ao acidente.

(Notícia atualizada às 21:04)

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