“Tudo se resume a uma questão fundamental: quantos remendos são necessários na cultura para esconder as más escolhas políticas de quem nos governa?”, pergunta o sindicato num comunicado divulgado hoje.

Na semana passada, o primeiro-ministro anunciou um aumento de 15 para 16,5 milhões de euros da dotação para a criação artística já neste ano, adiantando que em 2019 será superada a meta de investimento prevista no programa do Governo.

A decisão do Governo surge num contexto de grande contestação por parte de companhias, associações e estruturas culturais contra o que consideram ser as insuficientes verbas para apoiar a criação artística e contra os atrasos na divulgação dos resultados da Direção-Geral das Artes (DGArtes).

Os atuais concursos decorrem à luz de um novo modelo de apoio às artes, que entrou em vigor em 2017, com um valor global anunciado de 64,5 milhões de euros a repartir pelos programas de apoio sustentado, apoio a projetos e apoio em parceria.

Quando o calendário destes concursos terminar, o CENA-STE quer que o Ministério da Cultura faça um “verdadeiro novo modelo de apoio”, num “processo atempado e sem posições cristalizadas” e que garanta condições de justiça na avaliação de candidaturas e uma simplificação de processos burocráticos.

O sindicato CENA-STE alerta que o problema de subfianciamento do setor está a empurrar “um grande número de trabalhadores para uma espécie de amadorismo-profissional ou para a desistência da profissão”.

Hoje, em entrevista ao jornal 'Público', o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, afirmou que “a construção de um novo modelo é sempre complexa, mas trata-se de um eixo importante de sustentação das políticas culturais”.

Miguel Honrado admitiu estar “disposto a trabalhar com todas as estruturas representantes do setor para afinar o modelo”.

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