“É importante que, neste contexto, países que são irmãos, que souberam construir uma relação de fraternidade, sejam precisamente o exemplo de como há mais vida depois da pandemia e que mesmo neste quadro de guerra há caminho para construir o futuro”, afirmou António Costa, depois de se reunir, na capital de Cabo Verde, com o homólogo cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva.

“É um momento por um lado de esperança de que estejamos à beira de nos podermos libertar desta pandemia, mas também um momento de grande ansiedade a nível mundial, a assistir a uma guerra terrível e que tem consequências muito para além do local onde a guerra se desenrola e projeta efeitos e danos um pouco em todo o mundo e seguramente também nas nossas vidas”, afirmou António Costa, em declarações aos jornalistas após a reunião com o primeiro-ministro cabo-verdiano.

Novas gerações precisam reinventar relações com países de língua portuguesa

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje, em Cabo Verde, que as novas gerações têm de “saber reinventar” as relações com os países de língua oficial portuguesa, para impedir que sejam apenas história.

“Temos aqui um enorme legado que temos a responsabilidade de transmitir às novas gerações e ajudá-las a reinventar essa relação. Nós soubemos reinventar as relações do passado, vão saber reinventar a relação do presente, mas para isso temos todos que nos empenhar”, afirmou esta tarde António Costa, durante um encontro com a comunidade portuguesa na Praia, no início do primeiro de dois dias de visita a Cabo Verde.

Para o chefe do Governo português, esse futuro só pode ser construído através das relação pessoais entre os povos de língua portuguesa: “Essa relação pessoal é a relação que cada uma de vocês e cada um de vocês estabelece aqui, no dia a dia, a vossa vida em Cabo Verde, e que os cabo-verdianos estabelecem no dia a dia em Portugal e que fazem de facto a diferença”.

“A diferença não está só na língua, porque o inglês também se aprende, o francês também se aprende. Há coisas que não se aprendem, ou se sentem ou não se sentem. Ou se transmitem ou não se transmitem”, acrescentou.

Os Governos de Portugal e de Cabo Verde assinam na segunda-feira, na Praia, no final da VI Cimeira entre os dois países, um Programa Estratégico de Cooperação 2022-2026, que vai envolver cerca de 95 milhões de euros.

Este programa será assinado no segundo e último dia de visita do primeiro-ministro, António Costa, a Cabo Verde, que durante a manhã visita a Escola Portuguesa, na Praia, projetando o lançamento da sua terceira fase.

“É uma obra muito importante não só para quem está hoje na Escola Portuguesa, mas como para quem no futuro vai continuar a estar na Escola Portuguesa. E acho que essa é uma realidade e uma consciência que as nossas gerações têm que ter, é que somos porventura a última geração onde esta relação que temos com os outros países que têm como língua oficial o português, tem isso por natural”, reconheceu.

“As novas gerações, a geração dos meus filhos, já não têm isso como natural e, portanto, é um esforço acrescido que a nossa geração tem que fazer para garantir que esta relação não foi uma relação que tem só história, mas é uma relação sobretudo que se alimenta hoje, no presente, do futuro que tem que saber construir”, concluiu.

A Escola Portuguesa de Cabo Verde é suportada pelo Orçamento do Estado português e funciona no âmbito de um acordo bilateral de cooperação com Cabo Verde, sendo frequentada por quase 900 alunos portugueses e cabo-verdianos, além de outras nacionalidades.

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