“Desafiamos o Governo a criar urgentemente uma comissão de inquérito composta por várias sensibilidades para no terreno averiguar a origem destes ataques e identificar os seus agentes”, declarou o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

Em causa está a situação de insegurança que afeta dois dos principais corredores rodoviários moçambicanos, a Estrada Nacional 1 (EN1), que liga o Norte ao Sul, e a Estrada Nacional 6 (EN6), que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbabué e restantes países do interior da África austral.

Desde agosto, pelo menos 21 pessoas morreram em ataques de grupos armados que deambulam pelas matas nas províncias de Manica e Sofala e as autoridades moçambicanas têm responsabilizado os guerrilheiros da Renamo liderados por Mariano Nhongo, general dissidente do partido e que exige a renÚncia de Ossufo Momade.

O presidente do principal partido de oposição reitera o distanciamento do partido, considerando Mariano Nhongo um desertor e afirmando que a Renamo está comprometida com o Acordo de Paz e Reconciliação assinado a 06 de agosto com o Governo moçambicano.

“Voltamos a reiterar que as forças residuais da Renamo aguardam serenamente nas bases e sob comando do seu Estado Maior General o desfecho do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração”, referiu o presidente da Renamo.

A Renamo considera que as autoridades moçambicanas estão a tentar desestabilizar o partido com acusações infundadas através de meios de comunicação públicos, acrescentando que foi “o regime da Frelimo [partido no poder] que acarinhou o surgimento dos atacantes”.

“O regime aplaudiu quando o cabecilha dos atacantes [em alusão a Mariano Nhongo] disse publicamente que quer assassinar o presidente da Renamo. Facto curioso, este pronunciamento não mereceu a condenação de ninguém”, declarou Ossufo Momade.

As novas incursões no centro de Moçambique acontecem num reduto da Renamo e onde os guerrilheiros daquele partido se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de dezembro de 2016.

Na semana passada, o ministro do Interior de Moçambique, Basílio Monteiro, anunciou o reforço de medidas de segurança em Manica e Sofala, que incluem o reforço do policiamento e a escoltas militares em alguns troços, um cenário que remonta ao pico, entre 2014 e 2016, das confrontações militares na crise política entre o Governo moçambicano e a Renamo.

Apesar de não assumir autoria direta dos ataques que se registam no centro de Moçambique desde agosto, Mariano Nhongo avisou, na sexta-feira, que o centro do país só terá o fim da violência armada com a renúncia do atual presidente da Renamo.

“Se o Governo reconhecer que Ossufo não representa a Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] não haverá mais tiro aqui”, disse Mariano Nhongo, numa teleconferência para jornalistas na cidade da Beira a partir de um ponto incerto no centro de Moçambique.

Este é o episódio mais recente das divisões no partido após a morte do líder histórico da Renamo, Afonso Dhlakama, ocorrida a 03 de maio de 2018.

A guerra civil de Moçambique causou dezenas de milharES de mortos nos anos 1980 e 1990.

No entanto, apesar dos vários acordos de paz que levaram o país ao multipartidarismo, a reintegração dos guerrilheiros nunca ficou resolvida e a Renamo manteve sempre um braço armado, ativo no centro do país.

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