Contactado pela Lusa, José Ribeiro e Castro, fundador do CDS e antigo secretário de Estado adjunto do vice-primeiro-ministro Diogo Freitas do Amaral nos governos da Aliança Democrática (de 1980 a 1983), rejeitou possíveis cenários de “coligação autárquica com o Chega”.

“O Chega nunca concorreu a nenhumas eleições autárquicas, estas serão as primeiras, e, portanto, seria completamente deslocado fazer coligações conjuntas com partidos que nunca se apresentaram a eleições. Que eu saiba, isso só acontece em Portugal com o PEV, que nunca se apresentou a eleições e vai sempre coligado com o PCP. À parte da CDU, não conheço nenhum caso em que haja coligações entre partidos que têm uma implantação e um trabalho autárquico, e partidos que surgem pela primeira vez”, sustentou o também antigo deputado centrista.

As autárquicas, previstas para o final do ano, “serão importantes”, no entanto, para “ver o grau de consistência e implantação” de Chega e da Iniciativa Liberal.

Já PSD e CDS-PP têm de fazer uma reflexão sobre a reorganização que está a decorrer na direita: “O que eu gostaria era que o PSD e o CDS fizessem uma profunda introspeção, verificassem como é que são capazes de ir de novo ao encontro do seu eleitorado, o que é que fizeram para se desencontrarem, não é só agora com o Chega, as pessoas já se afastaram há mais tempo.”

O antigo dirigente democrata-cristão reconheceu que está a ocorrer uma “restruturação partidária” na direita e que as eleições presidenciais “foram uma peça da movimentação desse xadrez”, em particular o terceiro lugar de André Ventura no domingo com 11,9%, correspondendo a 496.661 votos.

Contudo, José Ribeiro e Castro considerou que é “muito ilusório” retirar “conclusões imediatamente sobre esses resultados”, uma vez a “história do país” nas presidenciais mostra que o resultado “esgota-se nos dias a seguir”.

“Só fica um resultado, o do Presidente da República que foi eleito. Ponto final, parágrafo. Esta é a verdade das coisas”, completou o centrista.

André Ventura “falhou os seus objetivos”, já que “não ficou em segundo lugar, não ficou à frente de Ana Gomes, e não ficou, sequer, à frente da soma dos candidatos da esquerda, que foi o último objetivo anunciado”, sustentou Ribeiro e Castro, acrescentando que é “um dado político incontestável”.

“Retirar daí [das presidenciais] efeitos diretos para outras eleições é claramente precipitado”, sublinhou, já que as “eleições partidárias são diferentes, implicam organização, implicam outros rostos, implicam um grau de funcionamento coletivo”, ao invés de “uma candidatura de uma pessoa só”.

Ribeiro e Castro considerou também que o Chega tem “uma linguagem, uma programa e propostas políticas” que fazem com que seja “impossível qualquer acordo” políticos com centristas e sociais-democratas.

“[O Chega] É completamente reprovável do ponto de vista do discurso político que usa, uma linguagem às vezes até mal-educada, azedando o debate político para além daquilo que é política. As discussões em política devem ser bravas, duras e firmes, mas isso é completamente diferente de uma linguagem as vezes desvairada, que só introduz um clima de zaragata e de conflito na sociedade portuguesa, que não é necessário”, criticou o também antigo eurodeputado.

Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito no domingo Presidente da República, com 60,7% dos votos. O líder do Chega, André Ventura, alcançou 11,9% (496.583 votos), a cerca de 45 mil votos da ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, que ficou em segundo lugar, com 12,9% dos votos. Com três consulados por apurar, João Ferreira ficou em quarto lugar com 4,32%, Marisa Matias em quinto, com 3,95%, Tiago Mayan em sexto, com 3,22% e Vitorino Silva em sétimo lugar, com 2,94% dos votos.

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