A ERC recomenda à SIC que compense os "desequilíbrios" verificados no "Isto É Gozar Com Quem Trabalha", de Ricardo Araújo Pereira, por este nunca ter convidado André Ventura para o seu programa.

Numa entrevista à RTP, o humorista confirmou que "não convidou", nem pretende convidar o líder do Chega.

"Ele [André Ventura] disse que não tinha coragem de o convidar para um debate, mas o programa não é um debate", respondeu o humorista. "É um programa de entretenimento e não de informação", acrescentou Ricardo Araújo Pereira ao programa "Grande Entrevista", em outubro.

Mas a Entidade Reguladora, depois de ter recebido "duas queixas", emitiu uma deliberação referindo que "uma vez que decorreu o período eleitoral para as eleições legislativas de 2022, no programa “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”, foram entrevistados todos os líderes partidários que tinham obtido representação parlamentar nas eleições anteriores com exceção do Partido Chega, e que, quanto aos partidos sem representação parlamentar, apenas foi entrevistado o líder do Partido RIR".

Na mesma deliberação pode ler-se a posição da SIC que alega que o programa "é um subgénero de programas de entretenimento de cariz humorístico (...)", concluindo que "não sendo um programa informativo, não está adstrito ao cumprimento das normas um programa informativo".

"O programa em apreço é conduzido pelo humorista Ricardo Araújo Pereira, que o apresenta e, com a sua equipa, procede à seleção de conteúdos com total independência em relação à SIC. O critério de escolha dos convidados é também, por isso, do humorista, o qual tem total liberdade de conformação em relação a quem deseja (e a quem não deseja) receber no seu programa", responde o canal de televisão.

A ERC entende que apesar de se tratar de "um programa de humor" a forma como foi abordado no período eleitoral exige "maior discricionariedade" na abordagem.

"Considerar, porém, que, num programa em que a política se cruza com o entretenimento e em que os candidatos convidados para o programa beneficiam de grande visibilidade para apresentar os seus programas eleitorais, convicções e personalidade, a escolha de determinados entrevistados, com a exclusão de outros, deve ser objeto de especial ponderação, de modo a respeitar os princípios que enformam a atividade dos órgãos de comunicação social durante o período eleitoral", refere a deliberação que termina com a recomendação da "necessidade de compensar, se necessário, na restante programação, os desequilíbrios gerados num determinado programa em matéria de igualdade de oportunidades".

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