“Não fico nada surpreendido, ficava surpreendido é se ela baixasse”, afirmou Rio, explicando que “a dívida pública portuguesa, particularmente a dívida pública líquida, atingirá sempre máximos históricos enquanto Portugal tiver um défice no orçamento, que é a soma do crescimento da dívida”.

Sustentando que “enquanto o Orçamento do Estado [OE] português não estiver equilibrado a dívida não para” e que “enquanto [o OE] não tiver ‘superavit’ ela não desce”, o líder do PSD considerou que “aquilo que pode descer é a relação entre a dívida e o produto, que tem melhorado um pouco”.

“Agora o crescimento da dívida, aquilo que o Estado verdadeiramente deve, vai crescer sempre enquanto em Portugal houver um défice orçamental. E desde o 25 de abril até hoje nós tivemos todos os anos, sem exceção, um défice orçamental”, acrescentou.

Já relativamente à descida da taxa de desemprego em maio, Rui Rio considerou “positivo” que Portugal esteja hoje “num patamar de desemprego muito melhor do que no passado”, mas ressalvou que “o emprego criado é com salários muito baixos” e que “a própria produtividade da economia tem caído”.

“Os empregos criados não são de grande valor acrescentado, têm sido empregos de baixos salários, que é aquilo que nós deveríamos evitar. Mas pior do que isso é o desemprego, não quero exagerar. Ainda assim é melhor haver emprego do que não haver, mesmo com a produtividade a cair”, disse.

O Banco de Portugal (BdP) divulgou hoje que a dívida pública na ótica de Maastricht, calculada de acordo com a definição utilizada no Procedimento dos Défices Excessivos, atingiu em maio um novo máximo em termos brutos, de 250,3 mil milhões de euros.

Face aos empréstimos de abril, a dívida reflete um aumento de 0,3 mil milhões, incluindo os passivos nos instrumentos de numerário e depósitos, títulos de dívida e empréstimos, revelou o BdP no seu Boletim Estatístico.

Também hoje o Eurostat informou que a taxa de desemprego homóloga recuou em maio para os 8,4% na zona euro e para os 7,0% a União Europeia (UE), com Portugal a registar a quarta maior quebra entre os Estados-membros, para 7,3%.

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