Três meses depois de ter sido apreendida pelas forças militares russas, as turbinas da central hidráulica, localizada em Nova Kakhovka, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, estão a funcionar, com as instalações intactas e a água a fluir e a desaguar no rio Dnieper.

Os jornalistas da France Presse-visitaram as instalações no passado dia 20, durante uma visita de imprensa organizada pelo Ministério da Defesa russo, sob vigilância permanente de soldados encapuzados e armados com metralhadoras.

Muitos funcionários russos indicaram que a Rússia pretende anexar as regiões ucranianas de Kherson e Zaporizhia, formando assim uma ponte terrestre, ligando o território russo à Crimeia.

A central hidráulica, ainda pintada com as cores ucranianas, é considerada um sensível “objeto estratégico”, localizada longe da frente de combates, mais a norte, mas os russos, que ocupam a área, temem atos de “sabotagem” por parte de forças ucranianas.

“Houve tentativas [de sabotadores] de trazer cargas explosivas, mas todas foram frustradas”, disse Vladimir Leontiev, um agente pró-Rússia, nomeado por Moscovo para ser responsável pela administração civil e militar do distrito de Kakhovka.

Construída em 1956, durante o período soviético, a barragem hidroelétrica de Kakhovka permite que a água seja enviada para o Canal da Crimeia do Norte, que começa no sul da Ucrânia e atravessa toda a península.

Mas após a anexação russa do território, em 2014, Kiev fechou as torneiras da barragem, uma medida que causou graves problemas de irrigação e acesso à água na Crimeia.

As novas autoridades pró-Rússia dizem que as entregas de água à Crimeia através do canal foram retomadas no início de março e que, agora, 1,7 milhões de metros cúbicos são enviados para a península todos os dias.

“Há muita água a correr para a Crimeia. Neste momento, estamos a fornecer sem pedir pagamentos. É a nossa contribuição para compensar as perdas sofridas pelos ucranianos e russos durante oito anos”, explicou Leontiev.

Na versão deste responsável indicado por Moscovo, “todos os funcionários” da central permanecem no local e trabalham sem interrupção desde 24 de fevereiro, com os funcionários civis a serem controlados por soldados russos.

A central continua a produzir eletricidade que se junta à da rede unificada ucraniana e abastece tanto as áreas ainda sob controlo de Kiev como aquelas conquistadas por Moscovo.

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