“As representações diplomáticas e consulares russas na Alemanha não mantêm qualquer tipo de contactos com representantes de grupos terroristas ou formações ilegais”, indicou hoje a embaixada de Moscovo em Berlim citada pelas agências russas Ria Novosti e Tass.

A justiça alemã anunciou hoje ter anulado os planos de atentados de um grupo de extrema-direita que pretendia atentar contra as instituições democráticas do país, nomeadamente o Parlamento Federal, em Berlim.

De acordo com a agência France Press que cita uma nota policial alemã, 25 pessoas foram detidas até ao momento.

Segundo a mesma a nota, os suspeitos estavam a estabelecer “preparativos concretos para penetrar no Parlamento (Bundestag)” com um pequeno grupo de homens armados.

“Supomos que um ataque armado contra órgãos constitucionais estava previsto”, disse entretanto o ministro da Justiça alemã, Marco Buschmann, numa mensagem difundida pela rede social Twitter referindo-se a “uma grande operação antiterrorista” em curso.

Cerca de três mil elementos das forças de segurança foram mobilizados em todo o país e mais de 130 rusgas foram efetuadas.

A imprensa refere hoje que se trata da maior operação policial deste tipo no país.

Por outro lado, fontes judiciais alemãs indicam que 27 outras pessoas são procuradas por envolvimento na “célula criminosa”.

No quadro da mesma operação foi feita uma detenção na Áustria e outra em Itália, países cujas autoridades colaboraram com as alemãs.

Segundo um comunicado da Procuradoria em Karlsruhe, o grupo alemão que estava a ser investigado pelas autoridades foi fundado em 2021 e tinha como objetivo atingir as instituições e fundar uma “forma própria de Estado”, imposto através de meios militares e violentos contra os representantes constitucionais.

Para a Procuradoria, os membros do grupo “estão unidos por uma profunda rejeição contra as instituições do Estado e contra a ordem democrática da República Federal da Alemanha”.

Na primavera passada. foi desmantelada uma outra organização de extrema-direita suspeita de preparar atentados em todo o país e que tinha como alvo principal o ministro da Saúde por causa das medidas restritivas impostas contra a propagação da pandemia de Covid-19.

Entre outros aspetos, os elementos dos vários movimentos autoproclamam-se “cidadãos do Reich”, não reconhecem as instituições, não obedecem às forças policiais, não pagam impostos e possuem matrículas próprias nos veículos que conduzem.

As autoridades estimam que cerca de 20 mil pessoas estão envolvidas em movimentos radicais de extrema-direita na Alemanha.

O grupúsculo desmantelado hoje, segundo fontes judiciais, é inspirado nas teorias do movimento QAnon, organização conspirativa de extrema-direita dos Estados Unidos.

As mesmas fontes referem que os membros do grupo neutralizado autointitulam-se “Estado Profundo” que conta com a “intervenção iminente da sociedade secreta ‘Aliança’, tecnicamente superior e que conta com membros dos serviços informações, militares e funcionários governamentais de outros países, nomeadamente da Federação da Rússia e dos Estados Unidos”.

A investigação relacionou pelo menos um membro do grupo tentou contactar “representantes da Federação da Rússia”.

Contudo, de acordo com as investigações realizadas até à data, não há indícios de que estes interlocutores tenham reagido positivamente ao pedido.

A justiça alemã refere também que se trata de uma organização muito bem estruturada composta por um “órgão central” e um “braço militar” encarregado de adquirir equipamento e treinar recrutas, assim como dispõe de uma comissão de “Justiça”, “Negócios Estrangeiros” e “Saúde”.

No passado mês de outubro, membros do “braço militar” de um grupo de extrema-direira foram sinalizados nas casernas do Exército alemão (Bundeswehr) durante missões de recrutamento de elementos dispostos a envolver-se “num golpe de Estado”.

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