Quando o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quarta-feira a mobilização parcial dos reservistas para o conflito na Ucrânia, disse que apenas pessoas com conhecimentos ou experiência militar "relevantes" seriam convocadas.

Mas muitos expressaram indignação após surgirem casos, por vezes absurdos, de pessoas inaptas chamadas para servir.

Na região de Volgograd, um centro de treino enviou de volta para casa um militar aposentado de 63 anos, diabético e com problemas neurológicos.

Na mesma região, o diretor de uma pequena escola rural, Alexander Faltin, de 58 anos, recebeu a convocação, apesar de não ter experiência militar.

A sua filha publicou um vídeo nas redes sociais que depressa se tornou viral. Depois disso, conseguiu voltar para casa, após a revisão dos seus documentos, segundo a agência RIA Novosti.

A presidente do Senado, Valentina Matviyenko, pediu este domingo que as campanhas de mobilização sejam vistas com atenção.

"Os erros de mobilização (...) estão a provocar reações ferozes na sociedade, e com razão", disse no Telegram.

Esses erros são novos exemplos dos problemas logísticos que ocorreram desde o início da ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, em fevereiro. No sábado, a Rússia anunciou a substituição do seu principal general responsável pela logística, pelo meio da campanha de mobilização.

Contudo, as autoridades apresentam a mobilização de pessoas teoricamente isentas como casos isolados — mas, mesmo assim, é preciso ter em atenção as consequências.

Valeriy Fadeev, presidente do conselho de direitos humanos do Kremlin, pediu ao ministro da Defesa, Serguei Shoigu, que "resolva urgentemente os problemas" para evitar "minar a confiança do povo".

Para reforçar o sucedido, citou vários casos, como o recrutamento de 70 pais de famílias numerosas na região leste da Buriácia e de enfermeiras e parteiras sem formação militar.

Fadeev disse que todos foram convocados "sob a ameaça de julgamento criminal" e também criticou aqueles que "distribuem as convocações às duas da manhã, como se estivessem a tomar todos como desertores", o que causa "descontentamento", alertou.

Vários estudantes disseram à AFP que receberam chamadas, apesar de as autoridades terem prometido que não seriam incluídos na campanha de mobilização.

No sábado, Putin assinou um decreto que confirma que estudantes de centros de formação profissional e ensino superior estão isentos de mobilização.

Outra situação que gerou polémica é o caso de manifestantes contra a ofensiva na Ucrânia que receberam ordens de mobilização enquanto detidos. O Kremlin disse que nesses casos "não havia nada de ilegal".

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