Ambas as perspetivas foram esta tarde analisadas numa sessão promovida pela Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e pela Área Metropolitana do Porto, para apresentação do estudo em que Hermano Rodrigues, consultor de estratégia da Ernest & Young - Augusto Mateus & Associados, abordou potenciais "cenários de desenvolvimento" para o Europarque e para a economia metropolitana.

Hermano Rodrigues começou por realçar que o objetivo desse trabalho "não foi apresentar um caminho, mas sim expor oportunidades de desenvolvimento a explorar", para que, a partir desses contributos, "o poder político com responsabilidade sob o Europarque tome decisões e as implemente - já que o pior que pode acontecer é a indecisão".

Nesse contexto, o especialista recomenda que o Europarque concentre a sua atividade na "meetings industry", aumentando no imediato a sua atratividade regional enquanto espaço de negócios e, em alternativa ou a título paralelo, reforçando depois a sua visibilidade internacional no mesmo domínio.

Isso implicará, num primeiro momento, a redefinição do projeto inicial da estrutura "para atender à sua realidade atual" e, numa etapa posterior, "mais ambiciosa", a aposta em "parcerias com ‘players' internacionais" que permitam captar para a Feira mais congressos e eventos semelhantes.

Num e noutro caso, haverá benefícios em "redesenhar o modelo organizacional e institucional" do Europarque, o que passará por afetar-lhe uma equipa dedicada em exclusivo à sua vertente de turismo de negócios e também "pressupõe um investimento muito significativo do Município no equipamento" - eventualmente em articulação com "uma agência de investimento municipal e/ou intermunicipal ".

Para Hermano Rodrigues, esses passos são essenciais porque, para garantia de viabilidade, "o Europarque tem que conseguir uma taxa de ocupação muito maior do que aquela que tem atualmente e até daquela que tinha há uns 10 anos atrás".

Paulo Sérgio Pais é o responsável pela gestão executiva desse centro de congressos enquanto diretor-geral da empresa municipal Feira Viva e concorda com as propostas do estudo, mas assumiu que, seja a médio ou longo prazo, essa visão estará sempre ameaçada pelo tamanho da estrutura - o que encara simultaneamente como a sua maior "força e fraqueza".

"Se eu pudesse, cortava um terço ao Europarque", declarou. "Penso que é preciso deixar de encará-lo só como centro de congressos e dar-lhe outras valências, no ensino, na saúde, no desporto, no lazer", explica, em referência aos setores que gostaria de ver instalados nos 33% de espaço que retiraria à atual área física sob gestão da Feira Viva.

Considerando que a infraestrutura ocupa 78 hectares e que são particularmente elevados os custos de manutenção associados aos seus 25.000 metros quadrados de área coberta, Paulo Sérgio Pais diz ser justificado reequacionar-se a dimensão do Europarque porque esse aspeto manter-se-á problemático independentemente do sucesso do equipamento ao nível de ocupação e rentabilidade.

"Em 2018 vamos ter aqui 300 eventos e depois teremos 400, mas vamos continuar preocupados e angustiados porque qualquer utilização vai ser sempre pequena para a capacidade física do equipamento", conclui.

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