A sala compôs-se para receber o candidato já reconhecidamente derrotado nas eleições diretas para a liderança do PSD. Pedro Santana Lopes entrou de semblante aberto, atravessou o grupo de pessoas que o esperava, e subiu ao púlpito para dizer palavras que nunca se cansa de repetir: "viva o PPD-PSD". E mostra sentido de humor logo no arranque de um discurso que não era, naturalmente, feliz. "Isso não posso gritar ...". "Isso", era o seu próprio nome, que a sala já bastante preenchida gritava com o entusiasmo de quem recebe um vencedor.

Seguiram-se palavras esperadas, palavras de circunstância, palavras também emocionadas no timbre que lhe é característico: "não estejam tristes", afirmou. "Eu disse o dia todo à minha família que estava calmo, sereno e descontraído. E estou e não pensem que é pela muita experiência de várias campanhas. É por ter a consciência tranquila, é por sabermos que demos tudo o que tínhamos e fizemos aquilo que é importante em política: lutar por aquilo em que acreditamos".

Mas a novidade do discurso, é a de que isto não fica por aqui. Mais uma vez, isto não fica por aqui. "Como disse alguém, só é derrotado quem desiste de lutar", afirmou no momento em que a voz lhe saiu embargada. "Alguém" chamado Mário Soares, a quem pediu emprestada a frase para dizer que não é um ponto final. Vai descansar, vai avaliar os resultados, mas sim, vai continuar por aí. Vai continuar "a combater", como disse cá fora aos jornalistas.

De resto, foi  um discurso expectável de um candidato que perdeu as eleições. Agradeceu a todos, enumerou em detalhe desde mandatários, JSD, TSD, mulheres sociais democratas, presidente da comissão de honra e claro, e sempre, Conceição Monteiro, além da nota especial à família. Foi uma campanha "extraordinária", disse, e sorriu - "todas as campanhas são extraordinárias, mas esta foi especialmente intensa".

"O PPD-PSD escolheu, fez a sua escolha. Quando me apresentei, a 22 de outubro em Santarém, tive ocasião de dizer também isso: que concorria para o PPD-PSD poder escolher entre os dois caminhos que iam ser apresentados." Agora, continuou, "o que interessa, e o que eu espero, é que Portugal fique bem servido com esta escolha".

"Temos de continuar a sonhar", afirmou, depois de listar as prioridades de desenvolvimento que entende como fundamentais para o país e de sublinhar que "Portugal já perdeu muito tempo". Seguir-se-ia a frase com que trações o seu futuro: "é essa a garantia que eu quero dar, eu vou continuar a combater politicamente".

As horas antes, as eleições antes

À hora em que Pedro Santana Lopes se dirigiu à mesa de voto, no Sana Hotel, na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, o antigo primeiro-ministro falava com tom de vitória: “a minha tarefa a partir de logo à noite é unir, para depois ganharmos os combates externos (…) Ficaria muito contente se hoje houver uma grande percentagem dos inscritos a votar”.

O ditado diz: "nunca voltes onde já foste feliz". Mas Santana ainda não tinha sido propriamente feliz à frente do PSD. O período em que esteve à frente dos sociais-democratas, e que coincidiu com a altura em que esteve à frente dos destinos do país, foram marcados por várias polémicas - que culminaram com Jorge Sampaio a dissolver a Assembleia da República -  e ficou marcado pela histórica derrota frente a José Sócrates em 2005.

Pode-se dizer que as viagens até à liderança do partido não foram felizes, até porque Santana Lopes nunca chegou a vencer nenhuma nas urnas: perde para Fernando Nogueira, perde para Marcelo Rebelo de Sousa, perde para Durão Barroso, perde para Manuela Ferreira Leite; e na única vez que chega à liderança do partido consegue-o através da saída de Barroso para a Comissão Europeia, em Bruxelas, e não com o voto dos militantes.

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