"Se o partido entender que deve haver um congresso eletivo para discutirmos a liderança do partido, serei candidato a presidente do CDS", afirmou o centrista.

Num artigo de opinião publicado na quarta-feira no jornal 'online' Observador, o antigo secretário de Estado propôs a realização de um Conselho Nacional para convocar eleições antecipadas para a liderança ainda antes das eleições autárquicas, e defendeu que esta direção "não conseguirá" resolver "a crise de sobrevivência" do partido.

Nesse texto, não adiantava se seria candidato a suceder ao atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, eleito há um ano para um mandato que termina em 2022.

Na entrevista ao Público, Adolfo Mesquita Nunes quebrou o tabu e explicou que "esta não era uma decisão expectável" na sua vida e lembrou que "ainda há dois anos tinha dito que não queria fazer da política" a sua vida profissional.

Adiantou também que, apesar de o diagnóstico ser "do começo do ano", esta decisão "surge a seguir às presidenciais", porque entendeu que não podia avançar para a liderança do CDS-PP "enquanto estivesse a decorrer um processo eleitoral".

O antigo deputado justificou que "tem havido um processo de degradação da imagem, da eficácia da mensagem e da liderança do CDS" e reiterou o que tinha escrito no artigo de opinião, que "o partido tem muito pouco tempo para reverter esse processo" e por essa razão se impõe a realização de "um congresso extraordinário agora", enquanto "é possível inverter esse percurso".

"Acho que em 2022 será muito difícil. E acho que, se o fizermos agora, eu posso fazer, eu posso protagonizar essa mudança e essa inversão no CDS", advogou, salientando que o partido "tem de despertar o seu sentido vital", para evitar a "irrelevância" e o "desaparecimento".

Na sua ótica, "isso é possível fazer com uma liderança que seja carismática, agregadora, reconhecida, e que seja capaz de chamar os rostos do partido e somar novos rostos, para representar aquilo que é o espaço político que o CDS ocupou e sempre quis ocupar".

Adolfo Mesquita Nunes defendeu igualmente que o partido "precisa de um líder que consiga colocar o CDS de novo no mapa", que "some e agregue", e salientou que "o CDS está de volta e o país vai saber disso".

Ao Público, mostrou-se convicto de que a situação do partido “é recuperável” e apelou à união: “Só vai ser possível resgatar o partido se houver capacidade de todos esquecermos as guerras, as tendências, os segmentos, as franjas, e nos unamos porque o momento é de toque a rebate”.

O centrista apontou que "o momento limite" para inverter o processo de degradação do CDS é este" e garantiu que, se não conseguir ser eleito no congresso extraordinário, não voltará a candidatar-se a líder porque deixará "de ter condições para o fazer".

Quanto a entendimentos com outros partidos, Adolfo Mesquita Nunes frisou que se for eleito "chega de falar do Chega", mas salientou que no espaço político da direita democrática há espaço para "vários tipos de entendimento".

Na reunião da comissão política, concluída na madrugada de sexta-feira, o líder do CDS-PP anunciou que irá convocar um Conselho Nacional, mas não adiantou se a convocação de um congresso e de eleições antecipadas constará na ordem de trabalhos, disseram à Lusa fontes que estiveram presentes no encontro.

Entre quinta-feira e sexta-feira, vários membros do grupo Juntos pelo Futuro (cuja moção conseguiu 14,45% dos votos no último congresso) demitiram-se das funções que ocupavam na direção, entre os quais o vice-presidente Filipe Lobo d'Ávila, que argumentou não ser "possível assobiar para o lado" face à situação que o partido atravessa.

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