“Segundo as últimas informações de que disponho, um acordo foi alcançado no terreno prevendo a saída dos combatentes [rebeldes] da cidade”, afirmou o representante de Moscovo, precisando que o processo de retirada poderá ocorrer “dentro das próximas horas”.

Esta informação surge poucas horas depois do anúncio de que o Conselho de Segurança das Nações Unidas iria reunir-se hoje de urgência em resposta à situação em Alepo, após relatos de que as forças pró-sírias executaram dezenas de civis naquela cidade devastada por combates.

A reunião de urgência foi solicitada por Paris e Londres.

O acordo para a retirada “de habitantes e de rebeldes com armas ligeiras dos bairros sitiados” foi igualmente confirmado por responsáveis rebeldes.

Os termos do acordo foram concluídos “sob a liderança da Rússia e da Turquia”, aliados do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e da rebelião síria, respetivamente, indicou, em declarações à agência noticiosa francesa AFP, Yasser al-Youssef, um responsável da estrutura política do influente grupo Harakat Nour Din al-Zenki.

“Poderá entrar em vigor nas próximas horas”, precisou o representante, acrescentando que o plano prevê, numa primeira etapa, a retirada de feridos e de civis, seguindo-se os combatentes com as respetivas armas ligeiras.

“Aqueles que partirem poderão ir para a zona oeste da província de Alepo ou para a província (vizinha) de Idleb (noroeste)”, áreas controladas pelas forças rebeldes, concluiu.

Uma fonte de outro influente grupo rebelde islamita, Ahrar al-Cham, também confirmou o acordo para o processo de retirada, precisando que os civis e os combatentes rebeldes serão transportados em autocarros para essas regiões.

Em reação ao anúncio do acordo, a embaixadora dos Estados Unidos junto da ONU, Samantha Power, pediu que “observadores internacionais independentes” sejam destacados para Alepo para supervisionar a retirada “com toda a segurança” dos civis de Alepo.

Falando diante do Conselho de Segurança da ONU, a representante de Washington sublinhou que os civis que querem sair da zona leste de Alepo (que já foi um reduto dos rebeldes sírios) “têm medo, e com razão, de serem abatidos na rua ou de serem levados para um dos ‘gulags’ [campos de trabalho] de Assad".

A ONU informou hoje que as forças que apoiam o regime sírio terão executado pelo menos 82 civis, incluindo 11 mulheres e 13 crianças, “provavelmente nas últimas 48 horas” em quatro bairros do leste de Alepo que recuperaram aos rebeldes.

As forças governamentais sírias, apoiadas pelas forças aliadas russas, lançaram há três semanas uma ofensiva para recuperar a zona leste de Alepo, um bastião rebelde desde 2012.

Dos 275.000 civis que se estimava viverem em Alepo (a segunda maior cidade síria) quando foi lançada a ofensiva, cerca de 70.000 fugiu nos últimos dias, na sua maioria para centros de deslocados montados pelo governo na parte oeste da cidade.

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