O SL Benfica vive uma situação delicada. A nível desportivo, no que concerne ao futebol, teve um ano para esquecer: não conseguiu ultrapassar a fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de ter tido a qualificação na mão; na Liga Europa caiu cedo; em Portugal não passou a fase de grupos da Taça da Liga e ‘ofereceu’ o campeonato ao FC Porto depois de ter estado a sete pontos de vantagem. Dentro das quatro linhas, resta uma Supertaça Cândido de Oliveira conquistada no início do ano, quando os encarnados praticavam um futebol antagónico ao dos dias de hoje, com uma goleada ao Sporting CP por 5-0, e a esperança de vencer a Taça de Portugal no primeiro dia de agosto.

Fora das quatro linhas, logo ali no banco de suplentes continua um problema evidente e gritante. Após o despedimento de Bruno Lage, que colocou o lugar à disposição no final de uma derrota por 2-0 frente ao Marítimo, na Madeira, foi Nelson Veríssimo, antigo adjunto do técnico que foi o herói do título nacional da última temporada, quem assumiu a equipa de forma interina. Os rumores colocam Jorge Jesus na rota do Benfica o que, ao final do dia, resulta num enorme ponto de interrogação sobre o que esta direção pretende para o clube da Luz, uma vez que JJ acabou por ser afastado das águias por o clube pretender uma visão de aposta a longo prazo e de valorização de valores internos, como a formação. Mas se não for Jesus, quem é? O futuro do clube parece ter só uma resposta e essa é tudo menos fácil.

Agora, as últimas 24 horas junta-se aos problemas desportivos, um problema judicial. O Benfica num saco azul é uma piada de café feita com a ultrapassagem do Porto, um Saco Azul na capa dos jornais é uma valente dor de cabeça sem piada nenhuma.

Mas só para nos situarmos, vamos ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa atestar a quantidade de humor na expressão.

“Segundo o Grande Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva, de 1945, «saco azul» era a designação dada ao conjunto de importâncias provenientes de receitas eventuais, sem designação oficial, donde saíam verbas para despesas não previstas, em certos serviços públicos. Como as verbas atribuídas pelo Estado tinham uma grande rigidez de aplicação em rubricas específicas, a existência de um «saco azul» permitia por vezes agilizar o sistema.

Posteriormente, não só em organismos oficiais como sobretudo na escrita de firmas e empresas particulares, o termo ganhou a conotação de dinheiros ilícitos, ou porque provenientes de corrupção ou porque, mesmo não sendo daí provenientes, não eram registados de forma lícita e apenas um número restrito de pessoas sabia do seu montante ou proveniência, não sendo, pois, declarados para quaisquer fins oficiais, nomeadamente os impostos. O seu registo interno, para quem a ele tinha acesso, também era (é) denominado de «Contabilidade Paralela» ou «Caixa 2», sendo este último termo o utilizado no Brasil.'”

O termo é pesado e grave, assim como a notícia que foi hoje capa do jornal A Bola sobre Luís Filipe Vieira e o Benfica O presidente encarnado e a SAD do clube lisboeta foram constituídos arguidos pelo crime de fraude fiscal, no âmbito da operação ‘Saco Azul’.

Fonte oficial do clube da Luz disse os advogados das águias apresentaram um requerimento, a fim de saberem se o processo está em segredo de justiça, ressalvando que em causa está um processo de crime fiscal, que nada tem a ver com questões desportivas ou ‘sacos azuis’.

Já hoje, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu a negociação de ações da Benfica SAD, por aguardar divulgação de informação relevante ao mercado.

O inquérito é dirigido pelo Ministério Público (MP) do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) e investiga factos suscetíveis de integrarem crime de fraude fiscal, segundo a PGR.

A investigação da Autoridade Tributária (AT) remonta a 2018, quando foram feitas buscas às instalações ‘encarnadas’, por suspeitas da emissão de faturas de serviços fictícios de uma empresa informática, que o Benfica pagou.

A Bola noticia hoje que Luís Filipe Vieira foi ouvido na segunda-feira, tendo sido constituído arguido, acrescentando que outros dirigentes ‘encarnados’ devem ser ouvidos nos próximos dias, casos do administrador executivo da SAD, Domingos Soares de Oliveira, e do diretor financeiro, Miguel Moreira.

Em causa estarão 1,8 milhões de euros que terão sido pagos pelas sociedades ‘encarnadas’, durante seis meses, para pagar serviços que não foram prestados.

Fonte oficial do Benfica já tinha confirmado à Lusa que Luís Filipe Vieira tinha sido ouvido na segunda-feira, acrescentando tratar-se de uma questão relacionada com o pagamento de IVA e IRC.

À hora que este texto é publicado, o jogos dos encarnados frente ao Vitória de Guimarães, na luta para tentar adiar o inevitável, o título do FC Porto, neste caso, o lado palpável de um ano em que tudo parece acontecer, ainda não acabou.

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