Emília Pinho Costa, que nasceu em Bustelo, na freguesia de São Roque, naquele concelho do distrito de Aveiro, continua a viver no mesmo município, mas agora em Cucujães, onde aos 13 anos aprendeu lides de costura e bordados e aos 19 já se casava, para, entretanto viúva, hoje contar sete filhos, 14 netos, 20 bisnetos e cinco trinetos.

"É uma pessoa muito ternurenta, bem-disposta e, quando está mais lúcida, torna-se um poço sem fundo de histórias porque tem uma memória fenomenal", conta à Lusa o seu sobrinho Simão Godinho.

Foi num desses momentos de maior clareza mental que Emília quis passar uma mensagem especial à população. Citada pelo sobrinho, declara: "Sobrevivi à gripe espanhola e à tuberculose, tendo perdido o meu pai. Passei pela I e II Guerra Mundial e aqui estou. A graça do Senhor é grande: vamos vencer esta pandemia e ficar bem".

No mesmo testemunho, a sénior nota que tinha apenas sete anos durante a pandemia de gripe espanhola, que, de 1918 a 1920, infetou cerca de 500 milhões de pessoas, o que então correspondia a um quarto da população mundial.

Já no contexto da pandemia de covid-19, a aniversariante recorre à sua fé religiosa e recomenda: "Devemos enfrentar esta pandemia com coragem, não sair de casa para nos protegermos e orar pela Humanidade como fez o Papa Francisco, sozinho, na Praça de São Pedro".

Este ano Simão não poderá festejar o aniversário da tia presencialmente, porque "toda a família está a cumprir o isolamento para ser mais seguro" e se evitar o contágio pelo novo coronavírus, mas chamadas telefónicas "vai haver muitas", considerando que a sénior ainda ouve bem, apesar de já ter dificuldades de visão.

"Ela não se importa nada que seja só por telefone porque está sempre preocupada com toda a gente, a dizer-nos para ficarmos em casa, para nos deixarmos estar seguros, para não corrermos riscos que podem ser um problema muito grande para as famílias, os idosos e os doentes", realça o sobrinho.

Num comunicado sobre o 109.º aniversário de Emília Costa, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira, realça que essa munícipe centenária integra a faixa etária da população com maior risco de infeção pela covid-19 e, nessa contexto, declara: "A sua longevidade é um sinal de esperança e confiança no futuro".

Segundo dados da autarquia, o concelho de Oliveira de Azeméis registava segunda-feira à noite 110 casos de infeção pela nova doença entre os seus cerca de 70.000 habitantes, distribuídos por um território de 163 quilómetros quadrados.

O novo coronavírus responsável pela pandemia da covid-19 foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 75.000 morreram. Ainda nesse universo de doentes, mais de 290.000 recuperaram.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 12.442 infeções confirmadas. Desse universo de doentes, 345 morreram, 1.180 estão internados em hospitais, 184 recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.

A 17 de março, o Governo declarou o estado de calamidade pública no concelho de Ovar e dois dias depois decretava o estado de emergência nacional. Ambos os regimes vigoram até às 23:59 do dia 17 de abril, sendo que toda a população está proibida de circular fora do seu concelho de residência entre a próxima quinta e segunda-feira, para desincentivar viagens no período da Páscoa.

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