“A não ser que seja tudo redondamente mentira e provado que é redondamente mentira, não vejo como é que, nestas condições, um primeiro-ministro pode manter o ministro em funções”, afirmou Rui Rio, em declarações à agência Lusa.

O presidente do PSD salientou que tem por princípio “não pedir demissões de membros do Governo”.

“A palavra é sempre do primeiro-ministro, mas, quando eu for primeiro-ministro, nestas circunstâncias era impossível manter um ministro em funções. A não ser que isto seja redondamente mentira, mas isso é que eu tenho dúvidas”, sublinhou.

O Expresso noticiou hoje que o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), major Vasco Brazão, assegurou ao juiz de instrução do caso de Tancos ter dado conhecimento a Azeredo Lopes da encenação montada na Chamusca mais de um mês após a recuperação do arsenal.

Por seu lado, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, negou “categoricamente” ter tido conhecimento de qualquer “encobrimento” no caso da recuperação do material militar furtado nos paióis em Tancos.

Rui Rio considerou tratar-se de uma situação em que é “a palavra de um contra o outro”, acrescentando que, neste momento, “todos têm o legítimo direito de duvidar se é verdade ou se é mentira”.

Para o presidente do PSD, caso se comprove que Azeredo Lopes teve conhecimento deste encobrimento, o ministro da Defesa “fez duas coisas que não podem ser aceitáveis”.

“Não demitiu o diretor da Polícia Judiciária Militar, apesar de conhecer o que aconteceu – se conheceu -, e, por outro lado, não terá informado o primeiro-ministro daquilo que, entretanto, sabia”, apontou, salientando tratar-se de uma ocultação de “nove meses”.

“Naturalmente, se isto se confirmar, é impossível o ministro da Defesa continuar em funções. Se eu fosse primeiro-ministro, não podia aceitar que um ministro não me informasse de uma matéria desta envergadura”, justificou.

Rui Rio acrescentou ainda que, “sendo mentira ou verdade”, o caso de Tancos provocou “uma fragilidade muito grande no ministro da Defesa e as Forças Armadas precisam de um ministro politicamente forte”.

“Aquilo que está em causa, como todos nós sabemos desde há pouco mais de uma semana, é que a Polícia Judiciária Militar e a GNR de Loulé combinaram com o gatuno do material roubado entregar esse material e, por consequência, não haver uma acusação a quem praticou o crime”, resumiu.

De acordo com fontes do processo, citadas pelo semanário Expresso na sua edição ‘online’, Vasco Brazão garantiu no tribunal ter entregue pessoalmente no final do ano um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes. O Expresso ‘online’ acrescenta que o chefe de gabinete contactou telefonicamente o ministro, à frente dos dois militares da PJM, para o informar da situação.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, Azeredo Lopes negou tudo.

“Queria dizer categoricamente que é totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo. Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos”, afirmou o ministro.

Em 25 de setembro, a Polícia Judiciária deteve, no âmbito da Operação Húbris, que investiga o caso da recuperação, na Chamusca, em outubro de 2017, das armas furtadas em Tancos, o diretor e outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Na segunda-feira chegou a Portugal e foi detido o major Vasco Brazão, que foi porta-voz da PJM e estava em missão na República Centro-Africana.

Segundo o Ministério Público, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

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