Durante um seminário sobre educação, ambiente e desenvolvimento sustentável, João Pedro Matos Fernandes manifestou-se um defensor do meio ambiente, mas também do crescimento da economia, garantindo que os dois objetivos não são incompatíveis e que basta que sejam cumpridos determinados pressupostos que garantem a sustentabilidade do planeta.

Um deles é “deixar de ser donos daquilo que nos dá conforto”, anunciou.

“A economia tem de crescer, mas gerando recursos de forma hipocarbónica”, afirmou o ministro do Ambiente e da Transição Energética durante o seminário "Educação e desafios do futuro: ambiente e desenvolvimento sustentável", que está a decorrer no Conselho Nacional de Educação (CNEDU), em Lisboa.

Segundo Matos Fernandes, é preciso reduzir o consumo, prolongar o tempo de vida dos produtos e acabar com o hábito instalado do “é melhor deitar fora e comprar novo do que mandar arranjar”. O ministro adiantou que a cultura do “descartável” tem de ter os dias contados.

“Vamos deixar de ser donos daquilo que nos dá conforto”, defendeu, sublinhando que a sociedade tem de ser educada para ser “capaz de partilhar”.

“Não temos de ter carro. Temos é de ter um meio de nos movimentarmos”, exemplificou o ministro, apontando a mobilidade como um dos pontos essenciais nesta mudança: “É preciso mudar completamente a forma como nos movimentamos”.

Mas as alterações têm de acontecer também nas pequenas coisas do dia-a-dia. Matos Fernandes deu como exemplo o berbequim que “é feito para durar uma vida” mas o “tempo médio de uso são apenas 12 minutos”.

Na opinião do ministro, em vez de cada família ter um berbequim em casa, devem ter um serviço que lhes permita ter acesso à ferramenta quando precisam.

No mesmo sentido, em vez de comprarem um escadote, devem poder arranjar um quando necessário, continuou, concluindo que a solução passa por “deixar de ter o produto para ter um serviço”.

Para o sistema funcionar é preciso “saber partilhar” e, para isso, é preciso mudar mentalidades e comportamentos.

Também o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Filipe Duarte Santos, defendeu que a solução passa pela “evolução cultural”, em contraste com a evolução biológica.

“O nosso DNA é o mesmo há 300 milhões de anos. Não vamos deixar de ser gananciosos nem egoístas, mas a evolução cultural tem acontecido com sucesso”, defendeu o investigador e professor universitário.

Filipe Duarte Santos alertou que “sem literacia científica nada é possível”: “Não é possível compreender a complexidade do que se passa hoje”.

E neste campo a educação e as escolas têm um papel fundamental. Também Matos Fernandes reconheceu que a mudança de comportamentos se faz na escola.

A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNEDU), Maria Emília Brederode Santos, lembrou o trabalho que tem vindo a ser feito neste campo e saudou os jovens que em meados de março participaram na Greve Climática Estudantil e que esta sexta-feira voltam a fazê-lo em defesa do clima.

“A greve climática foi um importante espaço de participação dos jovens numa causa justa e foi importante para o aprofundamento do tema que algumas escolas fizeram ou que deveriam ter feito”, afirmou Maria Emília Brederode Santos.

“As alterações climáticas já não são um problema das futuras gerações, mas também da geração que participou na crise académica”, afirmou o ministro referindo-se à crise de 1969, que aconteceu há 50 anos.

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