Bolsonaro fez "comentários extraordinariamente desrespeitosos" sobre a primeira-dama francesa, disse Macron à margem da reunião do G7 em Biarritz.

"O que é que eu vos posso dizer? É triste, é triste, mas é em primeiro lugar triste para ele e para os brasileiros", afirmou, acrescentando que espera que os brasileiros "tenham um presidente que se comporte à altura".

Em causa está uma resposta publicada na conta de Facebook oficial de Jair Bolsonaro a um comentário que comparava a sua mulher, Michelle Bolsonaro, à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, fazendo pouco da aparência física da segunda.

"Entende agora pq Macron persegue Bolsonaro?", aparece escrito numa imagem que colocava lado a lado as fotos dos dois casais presidenciais. "É inveja (...) do Macron, pode crê", escreveu o utilizador Rodrigo Andreaça. "Não humilha cara. Kkkkkkk", reagiu num comentário o presidente brasileiro, referindo-se ao chefe de Estado francês.

Estes comentários surgem num momento de tensão entre Brasília e Paris, intensificada nos últimos dias pelas pressões exercidas pela França, que organizou a cimeira do G7 em Biarritz, sobre Jair Bolsonaro para agir contra os incêndios na Amazónia.

Na véspera do G7, Emmanuel Macron acusou Bolsonaro de ter "mentido" a respeito dos seus compromissos ambientais e anunciou que a França agora se opunha ao controverso acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Emmanuel Macron manifestou na passada quinta-feira preocupação com os fogos florestais que estão a devastar a Amazónia, a maior floresta tropical do planeta, evocando uma “crise internacional” e pedindo aos países industrializados do G7 “para falarem desta emergência” na cimeira deste fim de semana em Biarritz (sudoeste de França).

A causa de maior tensão prende-se agora com a manifesta oposição de Macron ao acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e Mercosul [Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai], fechado em 28 de junho, depois de 20 anos de negociações.

A postura de Macron valeu várias críticas e insultos por parte de governantes brasileiros. "Macron não está à altura deste embate. É apenas um calhorda oportunista, buscando apoio do lóbi agrícola francês”, escreveu ontem no Twitter o ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub, considerando-o ainda “um governante sem caráter” e um "cretino".

Já anteriormente, Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente brasileiro, que é deputado e que poderá ser o futuro embaixador do Brasil em Washington, tinha ‘retweetado’ [reencaminhado um ‘tweet’] com o título: “Recado para o @EmmanuelMacron”, onde se vê um vídeo dos confrontos com os ‘coletes amarelos’ em França, com o texto “Macron é um idiota”.

Em resposta a estes ataques, Macron, disse achar que "os brasileiros, que são um grande povo, estão um pouco envergonhados de ver esses comportamentos".

Entretanto, Jair Bolsonaro voltou hoje a dirigir duras críticas a Macron através da sua conta oficial do Twitter. "Não podemos aceitar que um presidente, Macron, dispare ataques descabidos e gratuitos à Amazônia, nem que disfarce suas intenções atrás da ideia de uma 'aliança' dos países do G-7 para 'salvar' a Amazônia, como se fôssemos uma colônia ou uma terra de ninguém", escreveu o líder brasileiro.

A Amazónia, que tem estado a ser devastada por vários incêndios nas últimas semanas, é a maior floresta tropical do mundo, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

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