Entre 21 e 28 de janeiro, no pico da terceira vaga, Portugal realizou, segundo dados da DGS, uma média de 64,9 mil testes por dia (PCR + antigénio). Na semana de 14 a 21 de fevereiro, em que entrou em vigor a nova norma de alargamento da testagem, esse valor passou para uma média diária de 26,4 mil testes.

A oposição critica a redução significativa de testes numa altura em que se começa a ponderar quando e em que moldes se iniciará o desconfinamento. O Governo, pela voz do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, diz que "a testagem massiva começará dentro de muito pouco tempo", mas que ainda "há processos para limar".

Depois da reunião desta segunda-feira no Infarmed, em que se confirmou que Portugal registou uma “descida muito significativa" da incidência de covid-19 nos últimos 14 dias, os partidos criticaram a redução do número de testes nas últimas semanas e reforçaram a necessidade de não apenas de aplicar o plano massivo de testagem previsto na norma que entrou em vigor a 15 de fevereiro, mas também de reforçar a capacidade de rastreio.

De acordo com esta nova norma, que começou a produzir efeitos às 00:00 de dia 15 de fevereiro, segunda-feira, “os contactos de baixo risco devem realizar teste para SARS-CoV-2 (testes moleculares) no momento da identificação do contacto”.

No entanto, os laboratórios privados, em declarações à Rádio Renascença, apontam para uma queda de cerca de 60% nos testes à covid-19 entre janeiro e fevereiro.

"Em janeiro chegámos a fazer, no conjunto de públicos, académicos e privados — os privados, como sabe, fazem metade dos testes do país — aos 70 ou 77 mil. Eu cheguei a ter dias de 10.400 testes por dia. Na primeira semana de fevereiro começaram a baixar e na segunda semana também. Portanto na semana que passou eu estou com 4.000 testes por dia. Mas não sou só eu, o total anda pelos 30 mil", afirmou o médico Germano de Sousa, responsável por um principais grupos laboratoriais do país à RR.

O próprio Governo — pela voz, ou pelo Twitter, de António Costa — reconheceu a necessidade de aumentar a testagem massiva e estava igualmente prevista a implementação de campanhas de testagem em escolas, fábricas e na construção civil, a par da testagem regular nas estruturas residenciais para idosos.

O SAPO24 questionou a Direção-Geral da Saúde sobre o que justifica a redução significativa da testes ao longo das últimas semanas, mas não recebeu resposta até à publicação desta notícia.

Em entrevista à RTP, Lacerda Sales, porém, deixou algumas notas sobre o assunto. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde garantiu que "a testagem massiva começará dentro de muito pouco tempo", mas que "há processos ainda a limar" — sem, porém, especificar que processos são esses e quanto tempo vão demorar a ficar definidos.

No entanto, adiantou que, "a partir da partir das 00h00 [de 23 de fevereiro] o SNS24 vai começar a fazer prescrição a contactos de baixo risco, e isso implicou uma definição de caso diferente. O SNS24 será um dos prescritos fortes nesta situação [do alargamento da testagem]".

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde lembrou ainda que quando se fala de testagem massiva, tem de se considerar que não é "uma estratégia isolada" e que implica, por isso mesmo, contactos com os ministérios do Trabalho, Economia e Educação.

Todavia, e assumindo que testar sem ter capacidade de garantir o rastreio não é eficaz, Lacerda Sales salientou o aumento de capacidade instalada, nomeadamente ao nível dos recursos humanos.

"Em dezembro de 2020 tínhamos 427 pessoas [a fazer  rastreio epidemiológico]. Em janeiro de 2021 tínhamos 1127 pessoas", graças à "grande participação das forças armadas, dos funcionários públicos e de técnicos superiores de autarquias.

"Hoje, por exemplo, na Região de Lisboa os primeiros contactos fazem-se as 24 horas, temos praticamente menos de 500 inquéritos pendentes, quando chegamos a ter mais de 50 mil", acrescentou.

Questionado sobre se caberá às empresas pagar os testes dos seus funcionários no âmbito da dita campanha de testagem massiva, Lacerda Sales adiantou que essa é uma das matérias que ainda não está definida.

Sobre a eventualidade de um aliviar das restrições em breve, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde diz que é "prematuro" falar de um desconfinamento. Adiantou, todavia, que uma das matérias em que o Ministério da Saúde está já a trabalhar é em recuperar a atividade assistencial programada, ou seja, consultas e cirurgias e doentes não-covid.

Reiterando que "o confinamento não pode ser um período entre duas vagas", o secretário de Estado da Saúde apelou ainda ao rigor e disciplina dos portugueses na forma como encaram esta pandemia.

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