Recordemos o nervoso miudinho de fazer um teste na escola. Sabemos a matéria? Ainda conseguimos ver mentalmente os apontamentos? Decorámos aquela mnemónica? Será que resulta? E, quase sem darmos conta, está feito. Caneta pousada: o que está feito, feito está. Depois chega o dia de receber o que fizemos. De 0 a 100, quanto será que conseguimos? Do 80% para cima ficamos mesmo contentes. Se ultrapassar os 90 nem se fala.

Atualmente, os testes que mais surgem nas conversas não serão os das escolas — pelo menos no mundo dos adultos. Existe a covid-19 e os resultados positivos e negativos (e, ao contrário do normal, até se torce pelo teste negativo). Contudo, hoje fala-se, sim, de eficácia — e de 94,5%, o que desperta aquele sentimento de "está a correr mesmo bem".

A empresa de biotecnologia Moderna anunciou hoje que dados provisórios indicam que a sua vacina contra a covid-19 tem uma eficácia de 94,5% na redução do risco de contrair a doença. Simplificando, isto significa que o risco de adoecer com o novo coronavírus foi reduzido em 94,5% entre o grupo de voluntários vacinados e também aqueles que receberam placebo.

Em comunicado, a empresa explica que na terceira fase do ensaio clínico foram identificados 95 casos de doença, sendo que desses apenas cinco tinham recebido a vacina e 90 pertenciam ao grupo que recebem o placebo, em que foram também identificados todos os 11 casos de doença grave. De acordo com a Moderna, cerca de 9% a 10% das pessoas vacinadas manifestaram efeitos secundários após a segunda dose, como fadiga, rigidez ou vermelhidão no local da injeção.

Com base nestes dados provisórios sobre a segurança e eficácia da vacina, a empresa norte-americana vai submeter nas próximas semanas um pedido de autorização de uso de emergência à Food and Drug Administration (FDA), a agência federal responsável pelo controlo e supervisão do setor alimentar e farmacêutico, e pretende também candidatar-se a autorizações de agências internacionais.

Mas este não foi o único bom resultado até agora. O anúncio da Moderna surge uma semana depois de a farmacêutica Pfizer ter anunciado que a sua candidata revelou uma eficácia de 90%, também de acordo com dados provisórios.

Contudo, é preciso ter os pés bem assentes no chão. Como na escola, um teste ou dois não dão garantias de ter uma boa nota no final. Nesse sentido, Graça Freitas afirmou hoje, na conferência de imprensa sobre os dados da covid-19 em Portugal, que quanto mais vacinas seguras, eficazes e de qualidade existirem, melhor será, justificando que quanto melhor a oferta, maior será a capacidade de os diversos países adquirirem a vacina.

Questionada sobre a recente divulgação dos resultados provisórios dos ensaios clínicos das duas vacinas que apontam para graus de eficácia superiores a 90%, a diretora-geral da Saúde disse que esse é precisamente um dos critérios mais relevantes. Além da eficácia, pesará também a segurança demonstrada, a sua disponibilidade e as suas características.

Sobre as características, Graça Freitas explicou que "muitas vezes estas vacinas podem vir a ser lançadas ainda com indicações para determinados grupos populacionais para os quais já foram testadas".  Ou seja, se uma vacina candidata contra a covid-19 está a ser testada em adultos saudáveis entre os 18 e os 64 anos, será administrada a esse grupo e só depois de haver dados sobre a sua segurança e eficácia noutras populações.

As contas a fazer ainda são muitas e a vacina não resolve todos os problemas — "vai complementar as outras ferramentas que temos, não vai substituí-las", afirmou hoje o diretor-geral da OMS. Todavia, como referiu António Costa, é preciso "acreditar que a ciência vai ser capaz de disponibilizar e a indústria de produzir uma vacina efetivamente eficaz". E, com os resultados que se começam a ver — e com o esforço de cada um — há "uma luz ao fundo do túnel".

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