O sultão Al-Jaber, dos Emirados Árabes Unidos, país que acolhe a na 33.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) e um dos maiores produtores de petróleo do mundo, preside à cimeira do clima no Dubai, que começou na quinta-feira, sendo também líder da petrolífera estatal Adnoc.

As suas declarações controversas, sugerindo que não era essencial reduzir o aquecimento global a 1,5º celsius, remontam a 21 de novembro num evento ‘online’ organizado pela iniciativa “She Changes Climate”, num debate tenso com a ex-Presidente irlandesa antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson.

Na discussão, Mary Robinson, presidente do grupo independente, Os Sábios (altos dirigentes, ativistas da paz e defensores dos direitos humanos), tinha desafiado Al-Jaber no sentido de, na qualidade de presidente da COP e da Adnoc, a assumir a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis “com mais credibilidade”.

Em resposta, Al-Jaber afirmou: “Aceitei vir a este encontro para ter uma conversa sóbria e madura. Não estou de forma alguma aderindo a nenhuma discussão alarmista. Não há nenhuma ciência, ou nenhum cenário, que diga que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é o que vai atingir [a meta de] 1,5°C”.

Segundo o The Guardian, a antiga política irlandesa continuou a desafiar o presidente da COP, afirmando ter lido que a estatal Adnoc estava a investir muito mais em combustíveis fósseis no futuro, ao que Al- Jaber ripostou: “Por favor, ajude-me, mostre-me o roteiro para uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis que permitirá o desenvolvimento socioeconómico sustentável, a menos que você queira levar o mundo de volta às cavernas”.

O sultão duvidou que se consiga ajudar a resolver o problema climático com acusações ou contribuindo para a polarização e uma divisão que disse já estar a acontecer no mundo: “Mostre-me as soluções. Pare de apontar o dedo. Pare com isso”.

No seu relatório de setembro, a Agência Internacional de Energia AIE estima que a produção de combustíveis fósseis deve cair 83% entre 2022 e 2050 para se alcançar a neutralidade carbónica.

Nos primeiros trabalhos da abertura da COP28, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “a ciência é clara e o limite de 1,5ºC só é possível se pararmos de queimar todos os combustíveis fósseis”, salientando que não se trata de reduzir ou diminuir, mas da “eliminação gradual, com um prazo claro”.

Citado pelo The Guardian, Bill Hare, diretor-executivo da organização não-governamental Climate Analytics, comentou que o debate entre Al-Jaber e Mary Robinson é “extraordinário, revelador, preocupante e conflituoso”, assinalando que mandar o mundo de volta à idade das cavernas é uma imagem recorrente da indústria fóssil e que está “à beira da negação das alterações climáticas”.

A cimeira do clima que começou na quinta-feira no Dubai debate estratégias de adaptação e mitigação, apoios financeiros, e fazer um balanço de oito anos de ação climática, que a ONU diz ir em sentido contrário.

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