Cleveland reforçou a segurança este domingo - na expectativa de ser palco de protestos-, na véspera da convenção republicana, que deverá coroar Donald Trump como o candidato do partido às presidenciais americanas. A convenção tem lugar após a morte de três polícias, este domingo, num tiroteio na cidade de Baton Rouge, Louisiana, que aconteceu depois de vários dias de tensão na cidade devido à morte de Alton Sterling, de 37 anos, alvejado por um polícia.

Os acontecimentos deste domingo fizeram aumentar o nível de alerta em Cleveland, onde as autoridades ergueram um círculo de aço à volta do epicentro da convenção republicana.

O presidente Barack Obama pediu calma. "Estamos a entrar em duas semanas de convenções, em que nossa retórica política tende a ser mais incendiária que o normal", alertou. "Por isso, é tão importante que todos (...) se concentrem agora em palavras e ações que possam unir o país ao invés de dividi-lo ainda mais", concluiu.

Em Cleveland, situada às margens do lago Erie, grades de dois metros foram erguidas ao redor do Quicken Loans Arena, que recebe a convenção republicana a partir desta segunda-feira e até quinta-feira. O centro de imprensa, que receberá 15 mil jornalistas, também está completamente isolado, e a presença policial é maciça.

Os quatro dias de discursos deverão determinar se Donald Trump é o candidato escolhido pelos republicanos para enfrentar a democrata Hillary Clinton nas eleições de novembro.

Várias ruas foram fechadas ao tráfego e outras obstruídas com barricadas de cimento. Até mesmo camiões limpa-neve foram usados para manter à distância possíveis manifestantes.

Milhares de polícias do estado de Ohio e de outras jurisdições do país, inclusive forças federais, estarão de guarda entre 18 e 21 de julho para a convenção.

As forças de segurança estão em alerta devido à expectativa de protestos de manifestantes incomodados com a retórica agressiva de Trump, e preparam-se para qualquer eventualidade, sobretudo depois dos recentes episódios de violência contra a polícia.

“O nosso país está totalmente dividido e os nossos inimigos estão de olho", escreveu Trump no Twitter. “O nosso país é uma cena de crime", destacou.

A lei em Ohio, que permite o porte visível de armas, só inflamou o medo de violência em Cleveland, cidade de 400 mil habitantes que, prevendo um possível descontrolo da situação, obteve um seguro contra protestos no valor de 50 milhões de dólares.

"Ouvimos alertas sobre tudo, de anarquistas e separatistas negros a seguidores de Trump e opositores a Trump, que se prepararam para vir a Cleveland para causar problemas ou apenas para se manifestar (...) Mas estamos preparados para tudo", disse o chefe de polícia de Cleveland, Calvin Williams.

Williams também disse que serão reforçadas as barricadas para evitar um possível ataque, depois do atentado na cidade francesa de Nice, onde um homem ao volante de um camião de 19 toneladas avançou com o veículo na direção de uma multidão, matando 84 pessoas.

Guerra contra o EI

Trump, o polémico candidato que promete construir um muro na fronteira com o México e faz campanha como o candidato da lei e da ordem, disse na sua última entrevista que, se vencer as eleições, declarará guerra ao grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico.

"Vamos declarar guerra ao EI, devemos varrê-los", disse Trump à emissora CBS. "Vou enviar algumas tropas (...) Vamos envolver a NATO" nesta luta, afirmou.

Forças especiais dos Estados Unidos já operam 'in situ' contra o EI, em ações complementadas com ataques da força aérea americana.

Trump fez estas declarações durante a primeira entrevista conferência de imprensa com seu braço direito nesta corrida pela nomeação republicana, o candidato a vice-presidente e atual governador de Indiana, Mike Pence.

A escolha de Pence, um conservador, foi comemorada pela cúpula republicana e pela ala conservadora, e é vista como uma manobra para unir o partido em torno de Trump.

Pence vai unir-se aos membros da família Trump - a sua esposa, Melania, e seus quatro filhos adultos - para elogiar o candidato durante a convenção.

Mas Trump não tem uma tarefa fácil pela frente e as ausências na convenção são de relevo.

Os quatro dias de convenção republicana em Cleveland não vão contar com nenhum ex-presidente, nem estará presente o governador do estado, John Kasich, que foi derrotado por Trump nas primárias.

"Idade das trevas"

Os protestos anti Trump já começaram. Este domingo, algumas dezenas de manifestantes reuniram-se a alguns quarteirões do centro de convenções. "Ele vai levar-nos de volta à idade das trevas", disse à AFP Carol Steiner, médica aposentada.

José Landaverde, um sacerdote anglicano salvadorenho, tem vindo a pregar, há que um mês, nas cidades rurais que são a base eleitoral de Trump "sobre o ódio que provocou o discurso" do magnata.

Enquanto isso, mais de cem mulheres posaram nuas em Cleveland, atendendo a uma convocação do fotógrafo Spencer Tunick, que busca conjugar arte e política para mostrar Trump como alguém incapaz de ocupar a Casa Branca.

Outro protesto "Stop Trump" está previsto para esta segunda-feira, algumas horas antes do início da convenção republicana.

Veja as imagens de abertura da convenção: 

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