O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta quarta-feira que "a solução de dois Estados" para resolver o conflito israelo-palestiniano não é a única via possível para a paz. O líder norte-americano comprometeu-se igualmente com um acordo de paz "ótimo", mas salientou que para isso é preciso que Israel e Palestina tenham uma postura de compromisso.

No que diz respeito à criação de dois estados - política que tem sido defendida pelos EUA -, Trump mostrou-se disponível para outra solução. "Estou a olhar para os dois estados e para um estado, (...) e gosto da solução que ambas as partes gostem.

As Nações Unidas, a Liga Árabe, a União Europeia, a Rússia e, até agora, os EUA regularmente reiteram o seu compromisso com a solução dos dois estados como caminho para a paz. Trump vem quebrar com a premissa.

Numa conferência de imprensa conjunta na Casa Branca, ao lado de Benjamin Netanyahu, Trump apelou aos palestinos para que se “libertarem do ódio” e a Israel para que tenha “contenção” na construção de colonatos em território palestino.

Escreve a BBC que foram aprovadas centenas de casas em colonatos desde que Trump assumiu a presidência.

No que diz respeito à promessa de Trump de mudar a embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, o que teria serias implicações nas negociações de paz, Trump reiterou que "adoraria ver isso a acontecer" e que isso "está a ser fortemente estudado", mas também com "grande cuidado".

Israel ocupou a metade leste de Jerusalém durante a guerra contra os árabes, em 1967, e anexou-a ao seu território em 1980, declarando toda a cidade como sua capital. Os Estados Unidos e a maioria dos países-membros das Nações Unidas desconhecem a anexação de Jerusalém e consideram que o status definitivo do território é um tema-chave que deve ser resolvido em negociações de paz com a Palestina. Em outubro de 1995, o Congresso americano aprovou uma lei pelo reconhecimento de Jerusalém unificada como capital de Israel e que autoriza inclusive recursos para mudar a embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém. Nenhum presidente americano implementou esta lei, considerando que implicaria a violação da autoridade do Executivo em matéria de política externa.

Em resposta, Benjamin Netanyahu, disse que a nova presidência americana ofereceria "uma oportunidade sem precedentes" para avançar com uma solução para o conflito israelo-palestiniano.

Trump salientou ainda os laços "indestrutíveis" que unem os Estados Unidos a Israel, e prometeu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que o Irão jamais terá armas nucleares.

O compromisso do presidente republicano responde às preocupações do seu aliado no Médio Oriente sobre o acordo nuclear alcançado pelo Irão com seis potências mundiais e que, segundo Netanyahu, expira demasiado cedo para que a ameaça desapareça de forma permanente.

"Um dos piores acordos jamais visto é o acordo sobre o programa nuclear iraniano. A minha administração já impôs sanções ao Irão e vou fazer ainda mais para impedir o Irão de desenvolver uma arma nuclear", prometeu Trump.

Após oito anos de tensão com a anterior administração norte-americana, de Barack Obama, precisamente por causa da questão dos colonatos e por causa do programa nuclear do Irão, o governo de Netanyahu, considerado um dos mais à direita na história de Israel, viu na eleição de Donald Trump uma oportunidade de iniciar uma nova relação com a Casa Branca.

Netanyahu foi um dos mais críticos do acordo de 2015 entre Teerão e as grandes potências (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) sobre o programa nuclear iraniano, considerando-o "um erro histórico”. Trump disse em campanha que este acordo era "o mais estúpido" que já tinha visto e reforçou essa ideia neste encontro.

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