Num editorial hoje publicado, o diário local Tulsa World defendeu que os riscos sanitários associados a este tipo de evento, organizado num local fechado e com uma grande moldura humana, eram demasiado grandes.

“Este não é o momento certo e Tulsa não é o lugar certo para um comício de Trump”, escreveu o jornal, lembrando que, mesmo que a cidade e o Estado do Oklahoma tenham autorizado a reabertura das atividades económicas e comerciais, a pandemia da doença covid-19 continua a progredir.

A situação em Tulsa também permanece tensa após a morte do afro-americano George Floyd e a chegada de Trump à cidade também poderá desencadear protestos que poderão degenerar em violência, segundo acrescentou o diário local.

“Aí também, Tulsa irá encontrar-se sozinha na gestão da situação, numa altura em que os recursos do município já estão a ser utilizados ao máximo”, sublinhou ainda o editorial.

Trump já tinha adiado por um dia este comício em Tulsa, que inicialmente estava marcado para 19 de junho (sexta-feira), dia em que foi abolida a escravatura nos Estados Unidos.

Depois das muitas críticas que recebeu, Trump anunciou o adiamento do comício para o dia 20, justificando a decisão “por respeito à data" e ao que ela representa.

A escolha de Tulsa, cidade que foi palco em 1921 de um dos maiores massacres de afro-americanos na História os Estados Unidos, foi também encarada como uma provocação após a morte de George Floyd e dos consequentes protestos antirracismo e contra a violência policial que têm decorrido em vários locais do país.

Também o diretor dos serviços municipais de saúde, Bruce Dart, alertou, no sábado, num artigo num jornal, que a situação sanitária da cidade pode deteriorar-se após o comício de Trump.

“Uma grande reunião num recinto com 19 mil a 20 mil pessoas representa um enorme risco para Tulsa neste momento”, disse Bruce Dart.

“Acho que é uma honra para Tulsa que um Presidente em exercício queira vir visitar a nossa comunidade, mas não durante uma pandemia”, declarou.

Através da rede social Twitter, Donald Trump respondeu hoje de manhã aos apelos para cancelar o comício, para o qual, segundo frisou, a sua equipa de campanha recebeu “perto de um milhão de pedidos para bilhetes”.

O chefe de Estado norte-americano acusou ainda “os ‘media’, as ‘fake news’ [notícias falsas] e a extrema-esquerda” de terem duplos padrões em relação ao novo coronavírus, uma vez que “não têm nenhum problema com os motins e os bandidos que destroem as cidades lideradas por democratas”, mas reprovam os seus comícios.

“Não vai funcionar!", insistiu Donald Trump, argumentando que o elevado número de casos de covid-19 registados nos Estados Unidos se deve principalmente à capacidade de rastreio sem paralelo daquele país.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (115.732) e mais casos de infeção confirmados (quase 2,1 milhões).

O Estado do Oklahoma registava, no sábado, mais de 8.000 casos de covid-19, dos quais 225 tinham sido diagnosticados nas 24 horas anteriores, um novo recorde naquele estado norte-americano.

O comício de Tulsa marca o relançamento da campanha de Trump para a reeleição presidencial nas eleições de novembro, após as restrições aplicadas no âmbito da pandemia do novo coronavírus.

Outros comícios estão previstos para os estados da Florida, Arizona e Carolina do Norte.

Para participar nos comícios, os apoiantes de Trump têm de assinar um termo de responsabilidade e comprometer-se a não processar a equipa do Presidente caso fiquem infetados.

As eleições presidenciais estão marcadas para o próximo dia 3 de novembro, e Trump concorrerá contra o candidato democrata Joe Biden, ex-vice-Presidente de Barack Obama.

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