"Para evitar que cheguem novos casos ao nosso país, vou suspender todas as viagens da Europa para os Estados Unidos durante os próximos 30 dias", disse Trump num anúncio realizado em direto para o país a partir da Sala Oval, na Casa Branca .

A decisão entrará em vigor no primeiro minuto de sexta-feira, mas deixará de fora o Reino Unido e os transportes de carga.

As autoridades da Segurança Interna esclareceram também que as novas restrições de viagens se aplicarão apenas à maioria dos estrangeiros que estiveram no Espaço Schengen 14 dias antes da chegada programada aos Estados Unidos.

Os países signatários do Acordo de Shengen, a partir do qual os territórios permitem a livre circulação de pessoas, são os seguintes: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, França, Finlândia, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Lituânia , Luxemburgo, Liechtenstein, Malta, Noruega, Holanda, Polónia, Portugal, República Checa, Suécia e Suíça.

"Avançámos com ações antecipadas contra a China que salvaram vidas", disse Trump. "Agora devemos tomar a mesma ação com a Europa", acrescentou.

Trump lamentou também que a União Europeia "não tenha adotado as mesmas precauções que os Estados Unidos".

Durante o discurso de 10 minutos, o presidente definiu como um "vírus estrangeiro" o agente infeccioso já presente em 100 países.

Após o anúncio, os preços do petróleo recuaram na Ásia: o barril do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em abril perdia 6,28%, a 30,91 dólares, e o Brent do Mar do Norte recuava 6,04%, a 33,63 dólares.

Outra decisão anunciada por Trump para conter a epidemia passou por um pedido ao Congresso para que "permita aos americanos uma redução imediata de impostos sobre os salários".

O presidente informou também que vai adiar a cobrança de impostos a certas empresas e pessoas afetadas pela epidemia, uma medida que deve injetar mais de 200 mil milhões de dólares de liquidez na economia americana.

Esta comunicação marca uma inversão na forma como o presidente americano tem lidado com o surto de Covid-19, hoje classificado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde, depois de vários dias em que procurou minimizar a ameaça, culpando a Europa por não agir com rapidez suficiente para lidar com o novo coronavírus e alegando que os casos registados nos EUA foram "semeados" por viajantes europeus.

Trump disse que esta é uma “resposta sem precedentes ao surto de coronavírus”. “Estamos a mobilizar todo o poder do governo federal e do setor privado para proteger o povo americano. Este é o esforço mais global e agressivo para confrontar um vírus estrangeiro na história moderna”, disse.

Horas antes do discurso  de Trump ao país, o diretor do Centro de Prevenção de Doenças, Robert Redfield, tinha advertido para o risco maior de propagação do coronavírus relacionado com a Europa.  "Para nós, a verdadeira ameaça agora é a Europa. Os casos vêm de lá. Falando claro, a Europa é a nova China".

A porta-voz da presidência Stephanie Grisham informou também que "para ter a maior precaução face à epidemia" Trump decidiu "cancelar os próximos eventos", em dois estados do Oeste do país. Trump pretendia ir ao Colorado e discursar no sábado em Las Vegas, Nevada, na Coligação Republicana Judaica.

1300 casos nos Estados Unidos

Os Estados Unidos registavam na quarta-feira 38 mortos e mais de 1.300 casos de infeção.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.300 mortos em 28 países e territórios.

O número de infetados ultrapassou as 120 mil pessoas, com casos registados em 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 59 casos confirmados.

Face ao avanço da epidemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.

A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 10.000 infetados e pelo menos 631 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país. Espanha e França são os outros países europeus mais afetados, com mais de dois mil infetados e cerca de meia centena de mortos em cada um dos territórios.

EUA: Departamento de Estado aconselha americanos a evitar viagens ao exterior

Os Estados Unidos publicaram também na noite desta quarta-feira uma advertência sem precedentes para que os cidadãos americanos evitem viagens ao exterior face à pandemia do novo coronavírus.

"O departamento de Estado recomenda aos americanos que evitem viajar para o estrangeiro devido ao impacto mundial do Covid-19".

No início de fevereiro, Washington proibiu temporariamente a entrada nos Estados Unidos de cidadãos estrangeiros com passagem recente pela China.

O departamento de Estado, que tinha recomendado aos cidadãos americanos que não viajassem para Itália e Coreia do Sul, agora ampliou a recomendação a qualquer país.

Segundo o departamento de Estado, os americanos que viajam para o exterior correm o risco de ficar retidos em muitos países, incluindo aqueles onde ainda não há casos de coronavírus, "que podem restringir o trânsito (de pessoas) sem aviso prévio".

Notícia atualizada às 7h38 

 

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