A Autoestrada do Marão concluiu o prolongamento da A4 de Amarante até Vila Real, inclui um túnel rodoviário de 5,6 quilómetros e abriu ao trânsito a 08 de maio de 2016.

Miguel Pinto, diretor-geral da Kathrein Automotive, fábrica de componentes para automóveis que produz antenas, faz diariamente a viagem de Vila do Conde, onde vive, para Vila Real, onde trabalha.

“Em termos pessoais foi um ganho inexcedível. Faço a viagem diariamente, são 50 minutos e não custa nada. Quando trabalhava em Gaia demorava mais a deslocar-me uma dúzia de quilómetros”, afirmou à agência Lusa.

O responsável considerou que esta autoestrada era algo que se exigia porque ajudou a “minimizar o impacto da interioridade”.

“Não vou dizer que acabou com a palavra interioridade para Vila Real, mas mudou muito o conceito que as pessoas têm”, afirmou.

Para além de facilitar a sua vida pessoal, Miguel Pinto referiu que a infraestrutura ajudou a colmatar a dificuldade sentida pela empresa em atrair quadros superiores.

“Muitas vezes quando ouviam falar de Vila Real, mesmo estando interessados no projeto, desistiam atendendo à dificuldade e ao tempo que demorava deslocarem-se até aqui”, referiu.

O responsável realçou a questão da segurança no Túnel do Marão e lembrou as deslocações mais longas e difíceis pelo sinuoso Itinerário Principal 4 (IP4) que, em alguns invernos, se transformava numa barreira que não deixava seguir viagem devido à neve.

“A indústria automóvel é muito feita de envios especiais e a previsibilidade do túnel é muito vantajosa”, frisou.

Em um ano, a Kathrein contratou mais cinco funcionários da área do Grande Porto e, segundo o responsável, o “fator túnel foi decisivo na aceitação do projeto”.

Atualmente, são cerca de 20 pessoas, só desta empresa, que se deslocam diariamente entre estes dois territórios. Na fábrica trabalham 430 funcionários.

“Mesmo com o custo da portagem compensa”, concluiu Miguel Pinto.

Bruno Carneiro, de Santo Tirso, veio trabalhar para a Kathrein Automotive no início deste ano e afirmou à Lusa que a questão das acessibilidades foi um fator preponderante na sua escolha por Vila Real.

“Quando me contactaram para vir para Trás-os-Montes, Vila Real, parecia-me tudo muito distante. Era a ideia que eu tinha. Só tinha vindo cá uma vez, há uma série de anos, e depois fiquei surpreendido porque, de facto, não era assim tão longe. É menos de uma hora de viagem desde a minha casa em Santo Tirso”, salientou.

Bruno Carneiro lembrou que, quando trabalhava em Gaia, a deslocação demorava mais tempo.

“Embora fique cá durante a semana, e vá só ao fim de semana a casa, a possibilidade de poder chegar a Santo Tirso facilmente, para poder tratar de assuntos pessoais ou alguma coisa que precise, é sempre uma mais-valia”, referiu.

A Cerna é uma empresa de engenharia e consultadoria florestal, com origem na Galiza, que está há três meses no mercado nacional e escolheu Vila Real para se fixar.

Luís Roxo é um dos três técnicos que trabalham na cidade transmontana e disse à agência Lusa que a atuação da empresa, nesta primeira fase de implantação, se está a centrar sobretudo no Norte e no Centro do país.

“Vila Real aparece com um nova centralidade para o Norte e para o Centro do país, tendo em conta que temos as autoestradas A24 e A4 a atravessaram Vila Real e, aqui, o Túnel do Marão influencia também de grande forma essa mobilidade”, afirmou.

De acordo com o responsável, a “partir desta localização conseguem abranger o território florestal que interessa à empresa”, desde Chaves até Coimbra, Braga ou Viana do Castelo.

“Essa distância que constituiria um obstáculo, em estarmos em Vila Real, neste momento consegue ser facilmente transponível”, frisou.

A Cerna instalou-se no Douro Régia Park — Parque de Ciência e Tecnologia de Vila Real e quer apostar também numa ligação à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), onde Luís Roxo estudou e trabalhou.

Em um ano de funcionamento, o Túnel do Marão foi atravessado por cerca de três milhões e 850 mil veículos e contabiliza 7,5 milhões de euros de receita de portagens.

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