“Esta manhã, enviámos para [a zona] ao longo do rio Meriç [Evros, em grego] 1.000 elementos das forças especiais da polícia, completamente equipados, para os impedir de repelir” os migrantes, afirmou o ministro do Interior turco, Suleyman Soylu, numa visita àquela região de fronteira.

A Turquia anunciou na sexta-feira passada a abertura das fronteiras com a Grécia para deixar passar os migrantes que se encontram no seu território.

Desde então, dezenas de milhares de pessoas convergiram para a região fronteiriça, para tentar passar pelos postos fronteiriços ou atravessar o rio, que é relativamente estreito.

A Grécia anunciou que nos últimos dias impediu milhares de migrantes de “entrar ilegalmente” no seu território.

Vários migrantes ouvidos pela agência France-Presse do lado turco da fronteira disseram ter sido repelidos pelas autoridades gregas depois de passar a fronteira, nalguns casos depois de lhes serem apreendidos bens pessoais como telemóveis ou dinheiro.

A Turquia acusou por outro lado a guarda de fronteira grega de ter mortos dois migrantes, o que é categoricamente negado pela Grécia, que fala de “informações falsas”.

Ao mesmo tempo, também segundo a France-Presse, as populações das localidades gregas próximas do rio mobilizaram-se e estão a fazer patrulhas para impedir migrantes de atravessarem o rio.

Em Poros, localidade do nordeste da Grécia junto ao rio, polícias, mas também agricultores, criadores de gado e pescadores boqueiam todos os acessos “para defender as portas da Grécia e da Europa”.

“Pouco dormi desde aí [o anúncio de abertura de fronteiras pela Turquia]. Dia e noite, faço rondas com o meu automóvel no caminho ao longo do rio para ver se há barcos a tentar acostar na margem grega”, disse Sakis, um agricultor de 38 anos, com uma espingarda de caça ao ombro.

Quando um migrante é localizado, a polícia e o exército são avisados, disse.

A União Europeia (UE) acusa a Turquia de “chantagem” ao utilizar os refugiados e migrantes para pressionar a Europa a dar-lhe um apoio ativo no conflito na Síria.

O significativo afluxo de migrantes para a Grécia nos últimos dias fez ressurgir na UE o receio de uma nova crise migratória, semelhante à de 2015.

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