A Turquia fará com que os golpistas prestem contas "dentro da lei", afirmou o primeiro-ministro Binali Yildirim, que anunciou que mais de 7.500 pessoas foram detidas em todo o país. "Faremos com que prestem contas por cada gota de sangue derramado, mas dentro da lei", disse.

Entre os 7.543 detidos estão 6.038 militares, 755 magistrados e 100 policiais, indicou o chefe de Governo turco, antes de afirmar que 208 "mártires" morreram na noite do golpe frustrado. 

A par, o governo turco demitiu quase 9.000 funcionários do ministério do Interior, adiantou esta segunda-feira a agência de notícias pró-governo Anadolu, citando fontes do ministério do Interior. No total, foram afastadas dos cargos 8.777 pessoas, incluindo 30 altos oficiais.

Está em curso uma purga na Turquia, na sequência do golpe de Estado da passada sexta-feira, e que se prolongou pela madrugada de sábado.

A comunidade internacional está atenta aos desenvolvimentos na Turquia, onde o presidente Recep Tayyip Erdogan já avançou com a possibilidade de se reintroduzir a pena de morte no país.

A União Europeia e Estados Unidos fizeram um apelo à Turquia para que respeite o estado de direito na investigação do golpe de Estado frustrado contra o presidente Recep Tayyip Erdogan.

"Nós pedimos com firmeza ao governo da Turquia que mantenha a calma e a estabilidade no país", disse John Kerry, secretário de Estado norte-americano em conferência de imprensa. "Também pedimos ao governo da Turquia que respeite as instituições democráticas da nação e o estado de direito", completou, após uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da União Europeia.

Ao mesmo tempo, a chefe da diplomacia do bloco, a italiana Federica Mogherini, advertiu que a introdução da pena de morte na Turquia encerraria as negociações de adesão à UE.

"Nenhum país pode aderir à UE se introduzir a pena de morte", disse Mogherini, ao comentar uma medida citada no domingo por Erdogan.

O governo alemão fez a mesma advertência à Turquia.

Kerry disse ainda que o governo turco deve apresentar "provas" sobre a eventual participação no golpe do pregador turco Fethullah Gülen, que mora nos Estados Unidos, acusado pelo governo turco de ser o principal instigador da tentativa de golpe. Gülen dirige o poderoso movimento Hizmet ("Serviço"), que na Turquia dispõe de escolas, organizações não governamentais (ONG's) e empresas.

Gülem é o principal inimigo de Erdogan, que no sábado o acusou de ter organizado o golpe e solicitou sua extradição aos Estados Unidos.

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