28 de Fevereiro, perto da cidade de Kucukkuyu. Para estes migrantes, como para mais de um milhão de outros, é também a Grécia a porta de entrada na Europa. O número de migrantes que chegam a Itália e à Grécia desde o início do ano subiu em flecha, comparativamente ao mesmo período de 2015. As restrições crescentes em vários países europeus fazem com que milhares comecem a ficar retidos nas fronteiras.

A 7 de março a União Europeia e a Turquia realizam uma cimeira dedicada à crise migratória. Num acordo alcançado no final de novembro, a Turquia tinha prometido ajudar a conter o fluxo de migrantes a troco de dinheiro, visas e o retomar das conversações para a entrada do país na UE. Há neste momento 2,5 milhões de sírios na Turquia, e o país já gastou cerca de 8,5 mil milhões de dólares (uns 7,8 mil milhões de euros) em alimentação e alojamento para estas pessoas desde o início da guerra civil, há cinco anos. Mas o governo turco tem sido criticado por não ter uma estratégia de integração a longo prazo que dê aos sírios perspectivas de futuro no país.

O que pode a Turquia ganhar com os migrantes sírios?

Uma maior flexibilidade nos vistos de trabalho para os refugiados poderia trazer esperança a muitos sírios, mas também benefícios ao mercado laboral turco, segundo a opinião de alguns analistas turcos.

Em janeiro o governo turco anunciou que iria atribuir autorizações de trabalho a refugiados sírios sob protecção temporária. Muitos dos deslocados podem agora trabalhar legalmente na Turquia, pela primeira vez desde que a guerra civil síria rebentou.

Esta mudança de políticas abre perspectivas de melhores condições de vida para muitos refugiados qualificados, diz Metin Corabatir, do Centro de Investigação em Migrações e Asilo. “Há muitos professores, e professores assistentes, pessoas com doutoramentos. Podem encontrar trabalho regular nas universidades, nos centros de investigação e outros locais. Ou pessoas realmente talentosas com experiência em engenharia, ou arquitectura.”, diz o presidente deste think-tank baseado am Ankara.

Quanto à possibilidade de os sírios estarem a tirar oportunidades de trabalho aos cidadãos do país, os analistas dizem que o importante é garantir que se encontra o posto certo para que cada pessoa possa explorar o melhor possível o seu potencial. “O que temos de analisar é o que estas pessoas faziam nos seus países de origem, que conhecimentos têm, e como podemos utilizá-las da melhor forma. Precisamos de saber em que áreas é que podem ser úteis e encorajá-los a serem empreendedores e abrirem os seus negócios nessas áreas”, dia Ussal Sahbaz, investigador da Fundação para a Investigação em Políticas Económicas da Turquia.

Sahbaz acrescenta que a Turquia poderia beneficiar ainda mais desta mão de obra acrescida se conseguisse aperfeiçoar alguns aspectos destas novas regras laborais, como o número limite de empregados refugiados e restrições aos seus locais de trabalho.

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