“A guerra continua e as notícias do campo de batalha são boas para a Ucrânia. A Ucrânia está a voltar à ofensiva, [mas] a guerra entrou numa nova fase, uma fase que é sem dúvida perigosa porque estamos perante um cenário assustador, ao qual não devemos fechar os olhos”, declarou o Alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

Intervindo num debate na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, Josep Borrell falou num “cenário de uma guerra convencional envolvendo uma potência nuclear, uma potência nuclear que está atualmente a recuar no cenário convencional e que ameaça utilizar armas nucleares”.

“É certamente um cenário preocupante, no qual temos de mostrar que o nosso apoio à Ucrânia não está a vacilar”, sublinhou.

Apesar de vincar que “a Ucrânia está a avançar em três frentes, no Donbass, […], no centro sul de Zaporijia, avançando para Mariupol, e finalmente em Kherson”, o chefe da diplomacia comunitária apontou que a Rússia “ainda tem a superioridade numérica, a superioridade do poder de fogo”, razão pela qual é necessária cautela.

Hoje mesmo, os Estados-membros da UE chegaram a acordo político sobre novas sanções à Rússia pela invasão da Ucrânia, um oitavo pacote que deverá entrar em vigor na quinta-feira como “forte resposta” à anexação de territórios ucranianos.

Proposto pela Comissão Europeia na passada quarta-feira, face à “nova escalada”russa com a realização de “referendos fraudulentos”, à mobilização parcial e à ameaça de recurso a armas nucleares, o novo pacote de sanções da União Europeia inclui um teto ao preço do petróleo russo, novas restrições ao comércio para privar a Rússia de cerca de sete mil milhões de euros de receitas, uma proibição de exportações de mais produtos para privar o Kremlin de tecnologias-chave para a máquina de guerra russa e uma atualização da lista de indivíduos e entidades alvo de medidas restritivas.

Em concreto, a UE acrescentou à lista de sanções individuais os responsáveis pró-russos nas regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, ocupadas pela Rússia.

Nos últimos dias, registaram-se inclusive ataques russos contra a zona da central nuclear de Zaporijia, no sul da Ucrânia, a maior da Europa, depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado uma mobilização parcial de 300 mil reservistas russos.

“A situação do exército russo é muito má. Entre outras coisas, porque os soldados russos não sabem para que serve a guerra e os 300 mil que serão levados das suas casas para a frente de batalha compreenderão ainda menos, pelo que a guerra pode ser ganha no campo de batalha, mas deve ser ganha sobretudo no campo das ideias. Além da guerra em si, há outra guerra, que é a guerra pela supremacia dos valores”, disse ainda hoje Josep Borrell.

E numa altura em que se temem ruturas no abastecimento russo à UE, nomeadamente de gás, o chefe da diplomacia comunitária vincou que o Presidente russo, Vladimir Putin, “está à espera do frio, de cortes no fornecimento de gás, de preços elevados e temperaturas baixas para minar a vontade europeia de continuar a apoiar a Ucrânia”.

“Este é o lugar para pedir aos europeus que compreendam o que está em jogo porque o nosso apoio à Ucrânia não é apenas uma questão de generosidade, o nosso apoio à Ucrânia deve ser infalível porque a segurança da Ucrânia está intrinsecamente ligada à nossa própria segurança”, adiantou.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro passado.