“As pessoas que fogem da Ucrânia podem ser vulneráveis ao desenvolvimento de certas doenças infecciosas em resultado das suas condições de vida e da situação que enfrentam durante a deslocação”, realça o centro europeu de aconselhamento sanitário aos países, num relatório hoje publicado.

Num documento com considerações operacionais para a prevenção e controlo de doenças infecciosas no contexto do confronto armado ucraniano provocado pela Rússia e da saída de milhares de civis, o ECDC vinca que “os países que acolhem populações deslocadas devem assegurar que aqueles que chegam da Ucrânia devido à crise tenham acesso aos serviços de saúde de forma semelhante à população local”.

Tal medida permitirá garantir “a continuidade dos cuidados e a prevenção de complicações devidas a condições médicas prévias e ajudar ao tratamento precoce de condições agudas e, além disso, ajudará na deteção precoce de doenças que possam causar surtos”, aponta o organismo.

Numa altura em que se estima que mais de 1,7 milhões de pessoas fugiram para a Polónia, Hungria, Moldova, Roménia e Eslováquia, o ECDC alerta também para a necessidade de “diagnóstico e tratamento de doenças crónicas e relativos à saúde mental e psicossocial”.

A maioria das pessoas que atualmente saem da Ucrânia são, maioritariamente, mulheres e crianças que, segundo as autoridades, passaram até 60 horas nos postos fronteiriços a temperaturas muito baixas.

No que toca à pandemia, “espera-se que muitas das pessoas que atualmente fogem da Ucrânia não estejam totalmente vacinadas contra a covid-19”, aponta o centro europeu, referindo ainda que “a aceitação das vacinações infantis é alegadamente subaproveitada na Ucrânia”.

Os Estados-membros recetores devem, por isso, “assegurar a continuidade das vacinações de rotina e colmatar lacunas nas histórias anteriores de vacinação”, visando assim aumentar “a cobertura vacinal contra a poliomielite, sarampo e covid-19”.

“Os prestadores de cuidados de saúde devem estar cientes de que os organismos multirresistentes estão frequentemente ligados a feridas de guerra e requerem diagnóstico e tratamento precoces”, lembra ainda o ECDC.

O relatório hoje divulgado alerta, assim, para as vulnerabilidades das doenças infecciosas daqueles que fogem da Ucrânia e para os requisitos associados à prevenção e ao controlo de infeções.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,7 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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