“Em relação aos factos de que foi vítima o senhor Navalny, um dos líderes da oposição na Federação Russa, o que nós sabemos é que, a nosso ver, [dos] europeus, para além de qualquer dúvida está estabelecido que a pessoa em causa foi objeto de uma tentativa de envenenamento”, observou Augusto Santos Silva, durante uma conferência de imprensa por ocasião de uma deslocação a Bruxelas.

“E a partir do momento em que isso foi estabelecido de forma, a nossa ver, tecnicamente categórica, por laboratórios especializados e competentes na Alemanha, o que nós temos feito ver às autoridades russas é que esperamos que haja uma investigação completa, transparente sobre o que aconteceu, que possa determinar os respetivos responsáveis e que todas as ilações possam ser retiradas”, concluiu o chefe da diplomacia.

Principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, 44 anos, transferido para Berlim, foi, “sem dúvida”, segundo as autoridades alemãs, envenenado na Rússia por um agente neurotóxico do tipo ‘novitchok’, uma substância concebida na época soviética para fins militares e já utilizada contra o ex-agente duplo russo Serguei Skripal e sua filha Iulia, em 2018, em Inglaterra.

O Governo alemão e outros países ocidentais acusam as autoridades russas pelo crime, mas o Kremlin rejeita qualquer responsabilidade.

Na segunda-feira, Moscovo afirmou estar a ser alvo de acusações “absurdas”.

“Qualquer tentativa de associar a Rússia, de alguma forma, ao que aconteceu é inaceitável”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Na semana passada, a União Europeia já defendeu que, face às conclusões das autoridades sanitárias alemãs, “o Governo russo deve fazer o possível para promover um inquérito aprofundado sobre este crime e com toda a transparência”.

O comunicado divulgado por Josep Borrell, o Alto Representante da UE para a Política Externa, em nome dos 27 Estados-membros, admite ainda a aplicação de sanções, ao sublinhar que a União “apela a uma resposta internacional comum e reserva-se no direito de efetuar ações apropriadas, incluindo medidas restritivas”.

“A impunidade não deve ser e não será tolerada”, acrescentou Borrell.

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