“Estamos profundamente preocupados”, declarou a porta-voz da diplomacia europeia, Maja Kocijancic, que falava na habitual conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas.

A afirmação daquela responsável surge após a AIEA ter confirmado, na segunda-feira, que o Irão começou a enriquecer urânio a um nível proibido pelo acordo nuclear alcançado em 2015 com as grandes potências internacionais.

“Os inspetores da agência verificaram a 08 de julho que o Irão enriqueceu urânio acima dos 3,67% [grau máximo de enriquecimento de urânio permitido pelo acordo]”, disse um porta-voz da AIEA, citado num comunicado.

Reagindo à confirmação, Maja Kocijancic notou que a UE está “em contacto com os outros signatários do Plano de Ação Conjunto Global [acordo nuclear com Irão] para decidir quais serão os próximos passos nos termos deste acordo”.

“Continuamos a apelar que o Irão respeite o que está no acordo nuclear e que reverta as ações que vão contra esses compromissos, incluindo a produção de urânio a um nível proibido pelo Plano de Ação Conjunto Global”, insistiu.

A responsável adiantou que os contactos entre Bruxelas e Teerão “acontecem regularmente”, no âmbito do Plano de Ação Conjunto Global, e vincou que este é um acordo “crucial para a região”.

A nota informativa da AIEA surgiu algumas horas depois de as autoridades de Teerão terem anunciado que estão a produzir urânio enriquecido em pelo menos 4,5%, em resposta ao restabelecimento das sanções por parte dos Estados Unidos, que decidiram, em maio de 2018, abandonar unilateralmente o pacto internacional.

A agência da ONU já tinha confirmado, a 01 de julho, que o Irão tinha ultrapassado o limite imposto às suas reservas de urânio enriquecido, fixadas nos 300 quilogramas pelo pacto internacional.

Para avaliar os últimos desenvolvimentos relativos ao acordo nuclear com o Irão, o conselho dos governadores da AIEA, cuja sede é em Viena, terá uma reunião extraordinária na próxima quarta-feira.

A República Islâmica tinha anunciado, no início de maio, que iria começar gradualmente a quebrar os compromissos assumidos no acordo caso os outros signatários internacionais não alcançassem uma solução que permitisse contornar as sanções norte-americanas e as respetivas implicações na economia iraniana.

Concluído em julho de 2015 em Viena, o acordo internacional (assinado então pelos Estados Unidos, Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) determina que Teerão aceite limitações e maior vigilância internacional do seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais.

Mas Washington retirou-se unilateralmente do pacto há cerca de um ano, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

Teerão sempre insistiu que o seu programa nuclear tem fins pacíficos, negando qualquer tentativa de desenvolver armas nucleares.

Esta segunda-feira, as autoridades iranianas indicaram que pretendem, e para satisfazer as “atividades (nucleares) pacíficas" do país, enriquecer urânio em cerca de 5%, longe dos 90% necessários para um uso militar.

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