O Colégio das Artes, anteriormente ocupado pelo hospital da cidade e hoje casa do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra (DARQ), vai ser objeto de uma intervenção de grande escala com vista a recuperar o edifício construído no século XVII, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC), numa conferência de imprensa.

Segundo o reitor da UC, Amílcar Falcão, a obra será feita de forma faseada e não estará concluída no final do seu mandato (termina em 2023), tendo como dupla intenção dar "boas condições de trabalho" aos alunos e docentes, mas também conservar o edifício situado em zona classificada como Património Mundial.

"As condições do colégio já não eram grande coisa e ficaram ainda pior depois do furacão Leslie", notou o reitor.

A exigência por parte do DARQ de uma intervenção estrutural no edifício já era antiga (o departamento está ali instalado desde 1988), sendo que, este ano, por ocasião do 30.º aniversário da existência do departamento, o seu diretor, José António Bandeirinha, voltou a exigir uma intervenção geral no Colégio das Artes, realçando que o edifício está "num estado muito próximo de poder proporcionar a ruína".

Na conferência de imprensa, José António Bandeirinha realçou que a relação de metros quadrados por aluno no DARQ (6,9) é menos de metade dos estudantes da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (14,4), assim como em relação aos estudantes do Departamento de Engenharia Informática da UC (12,8), departamento com a relação mais baixa dentro da Faculdade de Ciências e Tecnologia a seguir ao DARQ.

De acordo com o diretor do departamento, o edifício tem problemas de acessibilidade (há apenas uma escada de acesso ao primeiro piso), de segurança contra incêndios e de conforto.

A intervenção prevê uma melhoria dos acessos, com a criação de quatro entradas, ao invés de uma que hoje existe, eliminação dos anexos e acrescentos criados aquando do funcionamento do hospital no Colégio das Artes, estando ainda preconizado explorar "as potencialidades com a envolvente urbana", tornando-o "visível e visitável", referiu.

A intervenção pressupõe também um aumento de área utilizada, indo ao encontro da perspetiva de crescimento do departamento, que tem "muito adiantada a possibilidade de criar um curso de design e produto", avançou.

Na mesma conferência de imprensa, o vice-reitor Alfredo Dias referiu que a estimativa dos 10 milhões de euros inclui as obras estruturais nas fachadas e no telhado, mas também as obras interiores, escusando-se a avançar com uma data para a conclusão de toda a intervenção.

Segundo o responsável, os projetos para a recuperação das galerias internas e auditório estão "bastante avançados" e já foram lançados os procedimentos "para os projetos das fachadas e do telhado".

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