"O Metro do Porto já circula sobrelotado e penso que, com a entrada em vigor desta medida, provavelmente não irá ter capacidade de resposta. No caso da STCP, as circunstâncias são exatamente as mesmas. Em determinadas horas e em determinadas linhas, os autocarros circulam lotados e preocupa-nos que, no futuro, a situação se possa agravar", explicou à Lusa Carlos Pinto, do Movimento de Utentes dos Transportes da AMP.

Para o representante, apesar de o passe único ser um instrumento de incentivo à utilização do transporte público, não se pode ignorar os constrangimentos que a sua entrada em vigor pode causar, inclusive no que respeita à utilização do passe único nos 17 concelhos que compõem a área metropolitana.

Carlos Pinto considerou que a data apontada pela AMP para o funcionamento em pleno do sistema (01 de maio) é "demasiada curta", temendo mesmo que em relação aos operadores privados que ainda não integram o sistema intermodal Andante o passe único possa não entrar em vigor tão rapidamente quando o esperado.

Além disso, acrescentou, há uma preocupação relativamente à oferta de transportes na AMP, que já é deficitária.

Adérito Machado, do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, mostrou-se também preocupado com a aplicação da medida nestes concelhos, onde há ainda operadores privados que não dispõem dos validadores necessários.

"Por exemplo, nas zonas mais interiores do concelho de Gondomar, em localidades como Melres, a entrada em vigor do passe único não vai ser de imediato porque a maior parte das linhas não tinham Andante", explicou.

Ainda assim, para o representante, se o sistema estiver a funcionar em pleno a partir de 01 de maio, este atraso de um mês é aceitável e não prejudica de forma grave os utentes.

Quanto à capacidade de resposta dos transportes face ao esperado aumento da procura, Adérito Machado não nega que é motivo de preocupação entre os utentes, principalmente dos utilizadores do Metro do Porto, onde o número de passageiros tem crescido muito nos últimos anos.

Em resposta à Lusa, a Metro do Porto assegurou que, dentro daquilo que é a capacidade da rede, a oferta será reforçada se a procura assim o justificar.

A empresa reconheceu, contudo, que há linhas onde esta capacidade está praticamente esgotada, como é o caso da Linha Amarela.

De acordo com a Metro do Porto, hoje é possível monitorizar a procura em tempo real, o que permite ajustar a oferta de acordo com esses picos de utilização.

A frequência dos veículos está dependente, contudo, da capacidade das linhas e do número de veículos existentes, que atualmente é de 100 carruagens, referiu a transportadora.

Já a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), em resposta à Lusa, revelou que, embora esteja atenta à evolução de passageiros por linhas e horários, neste momento não está previsto o aumento de frequência. Contudo, caso se verifique uma maior procura, "a empresa reúne valências para efetuar reajustamentos na oferta que disponibiliza aos clientes, respondendo às necessidades identificadas".

No que diz respeito à reorganização da rede de trajetos dos autocarros, a curto prazo a STCP vai implementar alguns pequenos ajustes em diversas linhas da rede da madrugada e um ligeiro prolongamento na linha 700.

A empresa salienta ainda que "a rede da STCP está em contínua monitorização, pelo que há sempre a possibilidade de alterações a serem consideradas, tanto em termos de trajetos como de horários, desde que mereçam a autorização da AMP, bem como dos municípios onde as mesmas se inserem".

A STCP refere também que está a efetuar uma atualização da sua frota, para viaturas de maior eficiência energética. Estes novos autocarros visam substituir viaturas da frota antiga e não promover o alargamento da frota.

O Governo espera aumento de 10% na procura dos transportes públicos a partir de 01 de abril, com a entrada em vigor do passe único.

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