“Que diligências pretende a União Europeia tomar no sentido de apoiar os empresários de origem europeia arbitrariamente espoliados e detidos pelo regime, e, em particular, obter a imediata libertação dos portugueses e lusodescendentes agora presos”, questiona o eurodeputado socialista, na carta enviada ao executivo comunitário.

No documento, Assis, que em junho liderou uma missão do Parlamento Europeu junto dos refugiados venezuelanos instalados na fronteira com o Brasil, recorda que o colapso económico e social da Venezuela, “cujo sintoma mais grave é a crise humanitária que hoje indigna o mundo”, afeta a população de forma transversal, incluindo as comunidades de estrangeiros que “ao longo de décadas contribuíram para o desenvolvimento do país”.

“A retórica de auto-vitimização com que o regime procura camuflar a sua responsabilidade pela crise, assente na ideia de uma alegada guerra económica travada por potências estrangeiras, tem servido para justificar práticas reiteradas de ocupação de empresas pelos “coletivos”, milícias a soldo do oficialismo, e detenções arbitrárias de empresários oriundos de diversos países europeus”, acrescenta.

Na quinta-feira, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que 34 gerentes de “grandes supermercados”, portugueses ou lusodescendentes, foram detidos por violar a lei.

No dia seguinte, na sexta-feira, em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador venezuelano para lhe transmitir a “grande preocupação” do Governo pela detenção dos 34 gerentes de duas cadeias de supermercados portugueses.

Um tribunal da Venezuela decidiu manter em prisão preventiva pelo menos dez portugueses e luso-descendentes, todos eles gerentes de supermercados, acusados de boicote económico, de impedir o abastecimento de produtos básicos e de violarem as leis que regulam os preços.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, referiu que teve uma conversa “dura” com o homólogo venezuelano acerca dos portugueses e lusodescendentes presos na Venezuela e indicou uma “linha vermelha” que poderá desencadear consequências diplomáticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza, acedeu ao pedido português de “acesso imediato aos portugueses detidos por parte das autoridades consulares e embaixada portuguesa”, para “lhes ser garantida a devida proteção consular”, segundo o ministro português, que falou à imprensa na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

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